segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pet Sematary


É verdade que ainda há muita coisa de Stephen King, meu escritor favorito, que ainda não li. Só para citar alguns dos mais famosos, estão a saga A Torre Negra, o elogiado Sob a Redoma e o recente Novembro de 63, por exemplo. Mesmo assim, nada me impede de fazer um novo post daquele que eu acho seu melhor (disparado!) livro.



O Cemitério (Pet Sematary, 1983)

"Você faz porque a coisa se apodera de você. Você inventa razões... e elas parecem boas razões. Mas, mais do que tudo, você faz porque, uma vez lá em cima, aquele é o seu lugar e você pertence a ele"

Para muitos - inclusive para mim - é a obra-prima de King. No meu caso, além de ser meu livro favorito do cara, ainda foi o primeiro que li dele. Foi no meu antepenúltimo ano de escola que peguei emprestado aquela edição com o garotinho na capa. Só comprei minha própria edição uns cinco anos mais tarde, a da Objetiva, com o cadáver do gato na capa.
Minha adoração por O cemitério é tão grande que foi justamente dele que tirei o título para este blog. Há alguns meses, até publiquei aqui o trecho em que o "Gato Smucky" é mencionado.

Motivos para afirmar que a história contada nesse livro é tão terrível não faltam. O próprio King, em determinado momento durante a criação, considerou a possibilidade de não terminar de escrevê-lo.
Em primeiro lugar, esse livro não é, de jeito nenhum, recomendado para pessoas com crianças pequenas em casa. Eu já tinha chegado a essa conclusão há muito tempo, mas há dois anos, dei a edição de bolso de presente para um amigo e, pouco tempo depois, sua esposa teve um filho. Quando ela disse a esse meu amigo que o leria assim que ele terminasse, ele fez a ela a mesma advertência, que talvez não fosse legal e coisa e tal.

Quando o li pela primeira vez já tinha visto a adaptação filme, mas o tinha feito quando era criança e minhas lembranças eram meio nebulosas. De fato, apesar de hoje afirmar que a versão cinematográfica de Pet sematary é fraca se comparada ao livro, nunca me saiu da cabeça uma cena em particular (não vou descrevê-la aqui por causa do spoiler). Portanto, mesmo quando peguei esse livro para ler pela primeira vez, já sabia aonde a história chegaria.

Dois acontecimentos com o próprio King serviram de inspiração para a história. Em 1979, o escritor morava em uma casa alugada que beirava uma rodovia em Orrington, Maine - quem é familiarizado com as histórias do autor, sabe mais ou menos como é aquela região, uma cidade cheia de estradas rodeada por bosques bem profundos. Em um desses bosques próximos à sua casa, as crianças locais construíram informalmente um cemitério de bichos, já que o movimento da estrada tirava a vida de vários animais de estimação, a maioria deles gatos e cachorros domésticos. Quando um caminhão matou o gato de sua filha, King se viu na ingrata tarefa de enterrar o bichinho no cemitério e, pior ainda, teria que dar a notícia para a garota. Seja como for, King ficou imaginando o que aconteceria em uma história parecida se o gato voltasse no dia seguinte. Mais ainda, o escritor ficou imaginando o que aconteceria se uma criança fosse atropelada daquele jeito, já que seu próprio filho quase teve esse destino, se King não tivesse chegado a tempo e o puxado pra fora da estrada.

Apesar de Pet Sematary também contar com o aspecto sobrenatural presente em grande parte das histórias de King - e há muito disso nesse livro - o que torna essa obra em particular tão melhor do que as outras é o drama familiar vivido pelos Creed a partir da segunda parte (de três). É bem complicado fazer uma descrição analítica aqui sem estragar a surpresa, mas em O Cemitério, simplesmente não há clichês. Esqueça a clássica "jornada do herói". Acho que o termo que mais se adequaria aqui seria "jornada pro inferno", e não o inferno biblicamente falando, mas o nosso próprio inferno pessoal.
Como eu disse, é difícil falar sobre o livro sem mandar algum spoiler, mas não dá pra negar que o leitor não consegue imaginar nada pior que pudesse ter acontecido com os Creed nos poucos meses em que moraram na casa em Ludlow.

O filme, lançado seis anos depois, não é dos piores e o roteiro (adaptado pelo próprio Stephen King) sintetiza bem a história como um todo, mas o grande diferencial da versão original é que, no livro, acompanhamos de perto tudo o que acontece na mente de Louis Creed, o que faz com que suas decisões na segunda metade da história façam todo o sentido, mesmo que estejamos nos deparando com alguém que pode não estar raciocinando direito. No filme, é claro, temos a impressão de que tudo acontece muito rápido.

Outro fator importante é que a história tem o ritmo certo. King não se apressa em momento nenhum a fazer as coisas acontecerem. Tanto que eu costumo dizer sobre esse livro que "o bicho começa a pegar mesmo lá pela página 100".

Pet Sematary rules!!!!

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