domingo, 8 de dezembro de 2013

A Lista de Schindler

À primeira vista, talvez não seja possível fazer uma conexão entre o fato de Nelson Mandela ter morrido nesta semana ao mesmo tempo em que eu terminava de ler A Lista de Schindler, livro de Thomas Keneally publicado no início da década de oitenta. O líder sul-africano e o ex-membro do partido nazista nunca se conheceram - quando Mandela foi libertado, o austríaco já havia morrido dezesseis anos antes. Não, de fato não há conexão nenhuma entre os dois acontecimentos, mas é fato que eu estava, digamos, com a sensibilidade à flor da pele quando vi as notícias de Mandela. Tanto ele quanto Schindler tiveram importância extrema em, cá pra nós, dar uma baita lição de moral no mundo inteiro em suas respectivas épocas.

Embora seja uma uma tremenda injustiça, a verdade é que Oskar Schindler só ficou realmente conhecido pelos, digamos não muito aficionados por História depois de ter a parte mais significativa de sua vida retratada em A Lista de Schindler, filme premiado dirigido por Steven Spielberg e com Liam Nesson no papel principal. Eu mesmo - não posso ser hipócrita - se não tivesse visto o filme, provavelmente não faria idéia hoje em dia que teria existido um membro do partido nazista durante a Segunda Guerra Mundial responsável pelo salvamento de mais de 1200 judeus.

O escritor Thomas Keneally voltava para a Austrália depois de um tempo concedendo autógrafos quando parou no caminho para o Aeroporto para comprar uma pasta nova em uma loja em Beverly Hills. O proprietário do lugar, o polonês Leopold Pferfferberg convenceu o australiano a ir até uma sala nos fundos da loja e mostrou-lhe documentos antigos que mantinha relacionados à Segunda Guerra. Keneally ouviu o que o dono da loja lhe contou. Leopold era o nome número 173 em uma lista datilografada nos anos quarenta.

Oskar Schindler era, antes de tudo, um comerciante nato e uma raposa nos negócios. Muito provavelmente, quando se juntou ao Partido Nacional Socialista Alemão, tinha como intenção se manter ao lado de quem detinha o poder na ocasião para se beneficiar no aspecto de ganhar muito dinheiro. À sombra dos acontecimentos posteriores, tudo leva a crer que Schindler não tinha o menor interesse pela ideologia política dos seguidores de Hitler.
Em 1939, Oskar Schindler desembarcou na Polônia e, com o início da guerra, iria usar toda a sua astúcia como industrial para lucrar com o conflito. Usando mão de obra judia - lembrando que os judeus foram obrigados a abandonar suas casas e se espremer em um bairro de poucos quarteirões cercado por muros - porque desta forma lhe sairia mais barato, o alemão conseguiu abrir uma fábrica de esmaltados e, através de subornos - incontáveis - fornecia seu material para as forças de guerra germânicas.

No entanto, à medida que ficava claro que a guerra e a violenta discriminação duraria muito mais tempo do que todos imaginavam, Oskar passou a usar de toda a sua esperteza para derrubar o sistema vigente. Ganhar dinheiro ficou em segundo plano para o industrial e trazer o maior número de prisioneiros para a sua fábrica - considerada um refúgio pelos judeus - se tornou prioridade. na sua vida. No entanto, a missão era muito difícil, já que se as ações de Schindler fossem descobertas pelos nazistas, ele próprio teria seu lugar cativo nos campos de extermínio de Auschwitz.

Depois de ler o livro, fica claro que Steven Spielberg tomou certas liberdades e mudou alguns detalhes da história original a favor do fator dramático do filme. Embora seria muito belo imaginar que teria sido Itzhac Stern, judeu protegido de Schindler que o ajudou a compor a lista, a verdade é que o autor original foi um judeu tão corrupto quanto... bem, um corrupto.
Por outro lado, é interessante como alguns elementos do filme que pareciam ter sido feitos justamente para o longa, realmente aconteceram. Acredito que o mais marcante de todos tenha sido o da garotinha de vermelho perdida nas ruas do gueto de Cracóvia durante a aktion alemã.

Sem comparar um ao outro e, principalmente por se tratar de uma história real, creio que o livro e o filme se complementam muito bem. Oskar Schindler foi, no mais difícil momento da Humanidade do século vinte, um exemplo exatamente disso: humanidade.

Leiam a história e aprendam, caras!

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