sábado, 16 de novembro de 2013

Rose Madder

"Dormindo com o Inimigo Versão Stephen King"?

"Um rascunho de luxo para A História de Lisey"?

Talvez, mas é claro que nunca "apenas" isso. Não com King.

Rose Madder foi o livro dele que mais ensebei para ler se considerar a data em que comprei e a data em que comecei a lê-lo. Mais de um ano. Quase dois, talvez. Creio que o principal motivo pela minha falta de interesse inicial por ele se dava ao fato de que pensava se tratar da versão original de Rose Red, da qual eu achei a minissérie bem fraquinha quando a vi na TV. Mesmo depois de ler a sinopse na contracapa do livro e descobrir que se tratava de uma história totalmente diferente, meu interesse não aumentou. Sobretudo pelo fato de que parecia ser uma historinha do tipo SuperCine. Garota casa com sujeito, sujeito se mostra mal, garota foge, sujeito vai atrás furioso.

Exceto, é claro, que se trata de algo contado por Stephen King.

Protagonistas mulheres não são muito comuns nos livros dele. Puxando pela memória sem ter que ir até o meu armário ver os que tenho, só me lembro de Carrie e de A História de Lisey. Rose Madder é, talvez, o menos sobrenatural dos três, mas isso não significa que não tenha uma boa dose do aspecto que fez o escritor famoso. No entanto, mesmo se esse traço não existisse em Rose Madder - escrito entre 1993 e 1994 - ele seria tão bom quanto o é.

E é exatamente na parte "normal" desse livro que reside seu maior charme e... seria esse, apesar de toda a violência e loucura contida em Norman Daniels, antagonista da personagem principal, o livro mais romântico de Stephen King? Não saberia dizer, já que não conheço toda a obra do cara, mas sem dúvida é o mais romântico entre todos os que eu já li dele.

Minha comparação com "Dormindo Com o Inimigo", clássico do SuperCine estrelado por Julia Roberts, não é à toa. A premissa básica é exatamente a mesma: a esposa que, depois de sofrer abusos físicos e psicológicos do marido, foge e tenta dar um novo começo à sua vida em outra cidade. E é exatamente no ponto em que começa a explorar a maneira como essa grande mudança na vida de Rose Daniels a afeta psicologicamente que está grande parte do mérito de King nesse livro em particular. Eu sei, pode parecer estranho alguém dizer que o ponto alto de uma história dele não é o aspecto do terror sobrenatural, mas em Rose Madder isso é a mais pura verdade. Há menos disso, mas há muito terror psicológico e, no meio do livro você se pega torcendo para que aquela história não te leve para o caminho óbvio que seria o inevitável confronto final entre a heroína e seu inimigo, mesmo que isso resulte em um desfecho fraco. Você realmente torce para Rose, para que ela consiga dar a volta por cima.

Boa parte disso se dá - e aí é que eu enxerguei a parte romântica da coisa - quando King surpreende de vez e faz o leitor se lembrar de como é se apaixonar. Foi o único livro em muuuuuito tempo que me fez sorrir enquanto lia - o que se tornou um tanto inconveniente, já que nesse trecho eu estava lendo em público, mais precisamente na recepção da escola em que estudo e imagino que todos aqueles outros aspirantes a atores e atrizes que, ocasionalmente possam ter me lançado um breve olhar ali devam ter me achado maluco ao sorrir enquanto lia uma história de Stephen King.

Ótimo livro. Recomendo.

2 comentários:

lil souto disse...

Vou comprar. #personalidade

Augusto Fernandes Sales disse...

É, embora eu não tenha comentado isso no post, acho que esse livro é algo como "Stephen King para mulheres". Acho que vai gostar, sim.