domingo, 12 de maio de 2013

O Deus do Pop



Há pouco tempo atrás, em um conversa com Diego Lima pelo finado MSN, falávamos sobre os Grandes da música mundial. Entenda bem, número de álbuns vendidos não tinha nada a ver com isso. Em determinado momento, disse a ele os nomes que, para mim, formam uma espécie de Triunvirato Musical em toda a História. Os únicos que podem, até hoje, ser chamados de "reis" de alguma coisa são Elvis Presley e Michael Jackson, enquanto a única rainha seria Madonna.
Minha opinião sobre isso não mudou - nem creio que vá mudar algum dia, a qualidade artística musical só tem piorado nos últimos anos - mas acho que talvez eu tenha me equivocado ao usar o termo "rei". Digo isso dois dias depois de ver Thriller Live, espetáculo de estrondoso sucesso na Europa que estreou em São Paulo no último dia 10. Talvez, lá no início dos anos oitenta, o jovem Michael tenha sido realmente "apenas" o Rei. Mas sua realeza tornou-se divindade não muito tempo depois.

Alguns anos atrás, o escritor Neil Gaiman afirmou que uma coisa de que gostava nos brasileiros era que nós acreditamos na confluência. Talvez eu tenha me lembrado disso porque atualmente estou relendo sua ficção Deuses Americanos, que trata exatamente disso, da co-existência de todos os deuses já criados/sonhados pela imaginação humana. Talvez porque eu tenha entendido este mesmo conceito, usado por Gaiman em Sandman, sua obra maior. Nele, um deus surge no Reino dos Sonhos e se alimenta da adoração de seus fiéis. Quando, meses, anos, séculos ou milênios depois seu último adorador desaparece, esse deus pode escolher desaparecer também ou pode escolher algum plano de existência para viver. Alguns até escolhem viver vidas humanas.

Reis tombam. Deuses são muito mais - infinitamente, talvez - duros na queda. E um rei comum não teria deixado o legado que Michael Jackson deixou. Um legado que não pode ser gravado num CD. É algo que não pode ser simplesmente ouvido. Deve ser visto. Sentido.
É correto afirmar que a arte de Jackson é o próprio Jackson em si. Sua música complementa a dança e vice-e-versa. Ninguém foi/é tão original quanto ele é/foi.

Nos tempos da Grécia Antiga, os rituais dionisíacos celebravam o Deus do Vinho.

Thriller Live celebra o Deus do Pop.

Enquanto assistia ao espetáculo - e me imaginava estando na presença do próprio Michael - um coisa não me saía da cabeça: como deve ser produzir uma obra em vida que continua sendo reverenciada após sua morte. Se o Rei Michael poderia ser algumas vezes questionado por não fazer as coisas como costumam ser feitas - casamento, casa arrumadinha, bater o cartão todo dia - a verdade é que o Deus Michael é totalmente intocável.


Obviamente, nenhum espetáculo com menos de, digamos quinze ou vinte horas de duração conseguiria mostrar toda a carreira do Deus do Pop, mas é inquestionável que os artistas de Thriller Live sintetizam toda a essência de Michael - e divindades, no final das contas, são isso mesmo, pura essência.

Para os pobres mortais - eu, por exemplo - que nunca viram um show de Michael ao vivo - Thriller Live é a melhor oportunidade para sentir a energia, os movimentos, o ritmo e, por fim, sua própria presença.

Para os que afirmam adorar - no sentido original da palavra - MJ, não assistir Thriller Live é, desculpe, um verdadeiro sacrilégio.

Em cartaz em São Paulo até 23 de junho.



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