domingo, 7 de abril de 2013

Beverly Hills Cop

O público leitor deste blog é bem, digamos, rotativo. As pessoas chegam até aqui, ficam um tempinho e se vão. Quem comentou lá no início, em 2010 e 2011 não comenta mais. Muita gente que comenta agora, daqui a um tempo nunca mais vai comentar. E muitos que nunca estiveram aqui vão chegar, fazer uma presença e depois ir embora. Bem ou mal, é o que acontece. O Gato Smucky não é muito conhecido por manter um público fiel.
Estou dizendo isso porque muitas vezes tenho que repetir o que foi dito sobre o blog ou sobre mim mesmo meses antes. E uma coisa que sempre costumo escrever por aqui é sobre um gênero de filme bem peculiar que nem todo mundo sabe que existe: as produções sessãodatardísticas. Essa afirmação de que nem todo mundo conhece é exemplificada no fato de que apenas quem teve os bons tempos da adolescência coincidindo com os anos noventa é que  participou dessa época. Hoje em dia, a Sessão da Tarde só passa aquelas porcarias vindas de estúdios adolescentes americanos estreladas por Miley Cyrus e/ou Lindsey Lohan, as irmãs Olsen e Deus-sabe-o-que-mais. Também é comum ver filmecos protagonizados por cães que jogam baseball, macacos que são donos de hotel, texugos que dançam balé, etc. Os saudosos tempos em que a Sessão da Tarde passava os grandes clássicos dos anos oitenta como Os Goonies, Os Garotos Perdidos, Sem Licença Para Dirigir, Dirty Dancing, Quase Igual Aos Outros, Te Pego Lá Fora, Curtindo a Vida Adoidado e muitos outros parecem estar definitivamente enterrados no passado. É realmente uma pena que os filmes que passam no horário resumam bem o tipo de jovem que exista hoje em dia.

Mas é para relembrar esses momentos que o Gato Smucky existe, afinal de contas. Os tempos modernos estão uma porcaria, o mundo está uma droga e as pessoas estão cada vez mais esquisitas, mas não podemos perder a esperança de que as coisas mudem. Enfim...

Eddie Murphy está meio sumidaço dos cinemas brasileiros nos últimos anos. Embora tenha dublado o Burro na quadrilogia Shrek (2001 - 2010) e tenha concorrido a um Oscar durante esse período (como ator coadjuvante em Dreamgirls, de 2006, pelo qual ganhou um Globo de Ouro), a verdade é que, cinematograficamente (ou, quem sabe, comercialmente) falando, a nata do ator está entre a segunda metade da década de oitenta e a primeira da de noventa.

Embora ele já fosse conhecido dentro dos Estados Unidos por participar do lendário programa Saturday Night Live e por dois filmes sem grande apelo comercial (48 Horas, em parceria com Nick Nolte e Trocando as Bolas, com Dan Aykroyd), foi apenas com Um Tira da Pesada (1984) que Murphy se tornou um astro internacional. É, ainda hoje, seu melhor filme.

Sessãodatardístico até o último fio de cabelo, Beverly Hills Cop trouxe a inovação em inserir humor e uma atmosfera mais leve para filmes de ação. O próprio Murphy diz que, antes de Beverly Hills Cop, as pessoas estavam acostumadas aos policiais durões interpretados por Clint Eastwood ou Charles Bronson. Se não fosse por uma questão de detalhes, Um Tira da Pesada teria caído nesse grupo mais comum, já que uma das primeiras escolhas para o papel de Axel Foley era um certo Sylvester Stallone. Contudo, Stallone fez algumas modificações no roteiro que transformavam a história em um filme de ação e o estúdio acabou achando o orçamento de 20 milhões de dólares caro demais. Com isso, Stallone usou suas idéias em Stallone: Cobra e o papel principal de Um Tira da Pesada acabou indo para Murphy, já que o aspecto humorístico seria mantido no filme. Hoje, quem viu as repetidas sequências de Um Tira da Pesada na Sessão da Tarde, sequer consegue imaginar outro ator interpretando Foley.

O personagem mais carismático da carreira de Murphy, Axel Foley é um policial meio maltrapilho que trabalha em Detroit e nem sempre segue as regras para resolver um caso. Seguindo as pistas para tentar desvendar o assassinato de um amigo pessoal, Foley viaja à Beverly Hills, lar das celebridades de Hollywood e um choque cultural é inevitável.
Um dos fatores que mais contrubuíram para que Um Tira da Pesada se tornasse um sucesso foi a quase carta branca dada ao elenco pelo diretor Martin Brest no que se referia a improvisações no roteiro. Em certa cena, Murphy estava esgotado devido ao calor que fazia no estúdio, mas recusava tomar qualquer tipo de energético. A contragosto, acabou bebendo um pouco de café e o resultado foi a cena em que conta a história dos "superpoliciais e suas capas". Judge Reinhold e John Ashton - que tinham excelente química entre eles - notoriamente se seguravam para não rir durante o improviso de Murphy. Reinhold, inclusive, enviou as mãos nos bolsos e beliscou a si mesmo.

Assim como Mad Max revelou Mel Gibson e O Exterminador do Futuro transformou Arnold Schwarzenegger em um astro, foi Um Tira da Pesada que alavancou Eddie Murphy. E, até hoje, é um dos seus filmes mais emblemáticos. 

Anteriormente, postei algumas das melhores cenas de Beverly Hills Cop.





Beverly Hills Cop (1984)
Um Tira da Pesada

Dirigido por Martin Brest
Escrito por Daniel Petrie Jr. (história e roteiro) e Danilo Bach (história)

Eddie Murphy
Judge Reinhold
John Ashton
Lisa Eilbacher
Ronny Cox
Steven Berkoff

Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original
Indicado ao Golden Globe de Melhor Ator de Filme de Comédia/Musical (Eddie Murphy) e Melhor Filme de Comédia/Musical
Indicado ao BAFTA de Melhor Trilha Sonora



Um Tira da Pesada (1984) - trailer









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