terça-feira, 26 de março de 2013

"Você vai acreditar que o homem pode voar"


A atual era de adaptações das histórias em quadrinhos para o cinema, pelo menos no que diz respeito aos filmes decentes sobre o gênero, iniciou-se oficialmente com o lançamento do primeiro filme dos X-Men, há quase treze anos. Antes disso, exceto pelos filmes do Batman dirigidos por Tim Burton - que não são unanimidade - as produções desse tipo foram no mínimo sofríveis.
Contudo, há uma importante exceção. No final da década de setenta e início da década de oitenta, o mais famoso dos super-heróis ganhou duas adaptações que, se hoje são vistas com um pouco de ceticismo pelas novas gerações, se tornaram dois clássicos cinema: Superman (1978) e Superman II (1980). Como foram filmadas simultaneamente, é totalmente possível falar de ambas como se fossem uma coisa só, como a trilogia de O Senhor dos Anéis, por exemplo.
Na última vez que vi o primeiro filme - há poucos minutos - tentei assisti-lo sob a perspectiva de quem estava presente quando estreou. Entenda bem, se hoje esses filmes arrasa-quarteirão cheios de efeitos especiais, épicos, grandiosos e tudo o mais são tão banais, nos anos setenta deviam ser extremamente impactantes. Talvez o melhor exemplo de tal sensação para a nossa geração seja o impacto gerado no lançamento de Titanic em 1997 ou até mesmo de Ben-Hur, em 1959.
De qualquer forma, tentei vê-lo como se eu fosse fã das HQ's do personagem e estivesse na expectativa de finalmente assistir a sua versão em live action. A primeira sensação de deslumbramento ocorre já nos créditos iniciais, com a música-tema composta por John Williams, que se fundiria à existência do próprio personagem e não só ao filme nas décadas posteriores. A curiosidade nesse momento é a aparição primeiro dos nomes de Marlon Brando e Gene Hackman, antes de Christopher Reeve, desconhecido até então.
Reeve, aliás, talvez seja o caso mais simbólico de atores que não conseguiram se desvincular de um personagem no decorrer de suas carreiras. Talvez os casos mais recentes que também exemplifiquem isso sejam os de Hugh Jackman/Wolverine e Daniel Hadcliffe/Harry Potter.
Um dos trunfos usados pelo diretor Richard Donner - também presente em Batman Begins (2005) - foi não apressar o andar da carruagem. A origem do Homem de Aço é mostrada sem muita pressa, ser afobações desnecessárias para que fosse espremida em um longa de 2h20m. Tanto que a primeira aparição do personagem principal só ocorre com quase uma hora de filme.
Embora Superman seja um dos heróis mais poderosos das histórias em quadrinhos, uma coisa é certa: sua galeria de vilões não é grande coisa. Nunca foi. Tirando Lex Luthor, o público não familiarizado com as HQ's do herói não consegue identificar nenhum outro inimigo facilmente. Isso fez com que Luthor fosse o único vilão do primeiro filme e nem é grande coisa, assim como suas motivações. Se tornar o maior proprietário de terras do mundo? Ah, tá bom, conta outra. Mesmo assim, a interpretação de Gene Hackman é lendária. Tanto que seria praticamente repetida por Kevin Sacey em 2006, no fraquinho Superman Returns. Talvez pela atmosfera leve do filme, Hackman fez um Lex Luthor mais cômico do que malvado de verdade. Em ambos os filmes ele refere-se a si mesmo como "a maior mente criminosa que o mundo já viu".
Algumas cenas do filme original se tornaram lendárias como o romântico vôo de Superman com Lois Lane ou a fúria do herói quando encontra a amada morta e percebe que nem mesmo ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo.
Entretanto, se o primeiro longa se desenvolve tendo a origem do personagem como base e as apresentações de personagens secundários como Luthor e Lois Lane, a sequência lançada em 1980 mostra um herói dos quadrinhos como deve ser: combatendo ameaças de verdade, com supervilões que o rivalizam em força e poder. O prólogo do segundo filme é mostrado na primeira cena do primeiro, no qual Jor-El condena três criminosos a cumprirem sentença na Zona Fantasma, uma espécie de prisão interdimensional. Ao serem libertados acidentalmente, os três decidem escravizar a Terra. Superman, que havia abdicado de seus poderes em troca de ficar com Lois, precisa fazer alguma coisa e impedir a catástrofe. Uma das minhas cenas favoritas ocorre exatamente quando Superman chama o General Zod para "resolver as coisas lá fora".
Depois desses dois filmes, três sequências foram produzidas, mas nenhuma delas digna do personagem. Contudo, está previsto para 2013 o lançamento de Man of Steel, que promete renovar a franquia do personagem nos cinemas. Como Christopher Nolan - diretor de O Cavaleiro das Trevas - e Zack Snyder estão envolvidos no projeto, talvez saia alguma coisa interessante daí.
Superman - O Filme (1978) - trailer
Superman II (1980) - trailer

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