terça-feira, 26 de março de 2013

Uma Odisséia no Espaço

Quem acompanha meu blog há tempo suficiente já deve saber que adoro filmes que fazem viajar. Desde moleque, sempre fui assim. Filmes de ficção científica como Os Doze Macacos, Alien, Predador e Blade Runner estão na minha lista de favoritos de todos os tempos. Tenho a impressão de que esse meu gosto vem devido ao fato de que realmente eu me desligo da realidade quando vejo esse tipo de produção da sétima arte. Só que tem que ser bem feita.
Um dos mais clássicos, filosóficos e psicodélicos filmes já produzidos de ficção científica é 2001: Uma Odisséia No Espaço (1968), do conceituado Stanley Kubrick e baseado no livro de Arthur C. Clarke - que não encontro para comprar em lugar nenhum!.
Uma coisa que deve-se ter em mente ao vê-lo pela primeira vez é a não "não-obrigação" de entender o final. O próprio Kubrick, assim como Clarke, afirmou que todo o contexto de 2001 deve ser interpretado de acordo com o entendimento de cada expectador. E, acredite, o filme é uma viagem total.
Os créditos iniciais já começam com a música que iria se tornar uma das marcas registradas do filme: Also Sprach Zarathustra, a sinfonia composta por Richard Strauss em 1896, baseada originalmente na obra de mesmo nome, de Nietzche. Aliás, muito da idéia central desse texto do filósofo parece estar presente no roteiro do longa.
A história começa há milhões de anos em algum lugar da Terra e os conflitos sociais da época são mostrados através do ponto de vista de uma espécie ancestral do homem. A escassez de alimentos faz com que dois grupos de homens primitivos entrem em conflito por uma pequena porção de água. E é exatamente do grupo perdedor que veremos o primeiro ponto de virada do filme, assim como a primeira mostra do tema evolução proposto por Kubrick e Clarke. Ao amanhecer, o grupo de macacos encontra um estranho artefato na entrada da toca onde dormiam. O monolito negro e retangular que aparece enterrado no solo causa estranheza e medo aos seres, mas movidos pela curiosidade eles se aproximam e o tocam. Na idéia do filme, o monolito significa evolução,
conhecimento. O nascimento de uma nova raça. Isso é claramente mostrado quando o grupo de hominídeos que teve contato com a pedra decide tomar seu território de volta.
O filme corta para milhões de anos no futuro. As viagens espaciais se tornaram comuns e a inteligência artificial criada pelo homem está em estágio bem avançado. O Dr. Heywood Floyd, do Conselho Nacional de Astronáutica dos Estados Unidos - sempre eles! - vai à Clavius, na Lua, para investigar a descoberta de um monolito enterrado na superfície lunar, ao mesmo tempo em que tenta manter a história longe da população da Terra. Os cientistas responsáveis pela descoberta informam a Heywood que as evidências indicam que a pedra teria sido enterrada ali deliberadamente há milhões de anos. Quando eles vão à cratera mostrar ao doutor pessoalmente, um sinal de rádio começa a ser emitido da pedra na direção a Júpiter.
Dezoito meses depois, na chamada Missão Júpiter, cinco astronautas vão rumo ao gigante do Sistema Solar em busca de respostas. Mas não estão sozinhos. HAL 9000, a inteligência artificial da nave zela pelo bom funcionamento do equipamento. Mas o quanto pode ser perigoso se uma forma de consciência artificial tão avançada começa ter curiosidade e a formular seus próprios planos? A batalha entre homem e máquina, tão clichê em diversos filmes do gênero, nunca foi tão claustrofóbica.
Não vou revelar detalhes do desfecho do filme. Como disse anteriormente, é algo muito pessoal e vai da interpretação de cada um. Eu mesmo tenho o meu ponto de vista sobre tudo, que envolve evolução e (re)nascimento. Até mesmo o formato da nave me trouxe algumas conclusões.
A parte técnica é um primor, sobretudo se considerarmos que o filme é de 1968. Kubrick deve ter sido o primeiro diretor de um filme ambientado no espaço a considerar o fato de que no vácuo não há som. Então, todas as explosões de Guerra nas Estrelas não fariam sentido onze anos depois. No lugar delas, Kubrick recheou a trilha sonora das cenas ambientadas no espaço com a valsa An der schönen blauen Donau (O Danúbio Azul), de Johann Strauss II, o que contribui para que o filme ultrapasse qualquer ambição comercial e entre para o seleto grupo de obras-primas da sétima arte.




2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) - trailer




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