sábado, 30 de março de 2013

Tripulação de Esqueletos


Quem acompanha esse blog com frequência sabe que o meu gosto literário não é lá muito refinado. Dificilmente você me verá lendo algo porque é clássico, porque é cult ou - principalmente - porque é popular. Meu gosto por leitura surgiu de HQ's de heróis quando eu tinha por volta de oito anos de idade e daí já dá para se ter uma idéia do que eu disse acima. Não leio por curiosidade ou para estudar. Leio para me distrair e, se der sorte, me divirto por tabela.
Assim como meu gosto literário não é refinado, ele pode ser sintetizado basicamente em dois escritores: Gaiman e King. Embora ainda esteja longe de ter tudo o que já foi produzido por ambos, li bastante material deles.
Já havia algum tempo que eu estava à procura da coletânea de contos chamada Tripulação de Esqueletos, de Stephen King. Nesse caso, não pelo simples motivo de ser de autoria do cara, mas principalmente porque é nesse livro que foi publicado o conto A Balada do Projétil Flexível, cujo personagem principal - e não o narrador da história - me inspirou a dar o nome a esse blog. Assim como Gato Smucky - Ele Era Obediente - 1971-1974, que estava escrito em uma lápide de um cemitério de animais em O Cemitério me inspirou a dar o nome do outro blog, o excêntrico Reg Thorpe, que assinava suas cartas com a frase Fornit Some Fornus, me forneceu o título desse aqui.
Comparada a outra coletânea de contos de King que li há poucos meses, Ao Cair Da Noite, Tripulação de Esqueletos não é melhor ou pior. King é sempre bom. Ou, pelo menos, quase sempre.
O primeiro conto do livro, O Nevoeiro, é o mais longo de todos. Depois de uma tempestade, um grupo de moradores de uma cidadezinha fica isolado dentro de um supermercado devido a um forte nevoeiro do lado de fora, que oculta estranhas criaturas assustadoras. É um ótimo e claustrofóbico conto que até teve adaptação para o cinema, em um filme de 2007 dirigido por Frank Darabont.
Aqui há tigres é uma história curta sobre a comum relação de um garotinho e sua professora aterrorizante.
O macaco, apesar de ser protagonizado por um adulto, remete à infância de muitos de nós, quando tínhamos medo de alguns objetos peculiares. Eu, se me lembro bem, morria de medo do boneco do Fofão (!!!!lembra dele???).
Caim Rebelado relata os últimos momentos de um jovem antes de se tornar um daqueles atiradores em escolas tão frequentes nos nossos tempos. É um bom conto, mas não muito mais do que isso. O Atalho da Sra. Todd foi baseado na esposa de King, que é fissurada por encontrar caminhos mais curtos. A personagem do conto, no entanto, encontra um atalho misterioso através da floresta, que revela a verdadeira natureza daquela mulher. A Excursão é ficção-científica pura com elementos de Além da Imaginação. Faz lembrar também aqueles filmes com que trombávamos nas madrugadas insones e que nunca lembrávamos o nome na manhã seguinte.
A festa de casamento é atípico de King. Nada mais do que um conto de gângsteres contado de uma forma um pouco diferente. 
Paranóico: Um canto é uma poesia. Detesto poesia. Não tenho sensibilidade o suficiente.
A Balsa é um dos poucos textos dessa publicação que eu já havia lido anteriormente. Relata as horas angustiantes de um grupo de jovens presos em uma balsa de madeira sem poder fugir pela água, já que há alguma coisa à espreita esperando por eles.
O processador de palavras dos deuses, embora com uma temática completamente diferente, traz alguns elementos do filme O Chamado, pelo menos no que se refere a misturar coisas sobrenaturais a aparelhos eletrônicos. Como eu vejo essa mistura um pouco difícil de engolir, não achei um dos melhores textos da coletânea.
O homem que não apertava mãos é um daqueles em que não se chega a uma conclusão bem definida no final. Afinal, aquele sujeito misterioso tinha mesmo um tipo de Toque de Midas macabro ou tudo o que acontecia ao seu redor não passava de coincidência?
Um Mundo de Praia é uma droga. Nem li até o final.
A Imagem do Ceifeiro é um daqueles em que você termina de ler achando que faltou alguma coisa, que tinha um bom potencial para ser algo mais grandioso, com mais profundidade.
Nona, que mostra o encontro de um andarilho com uma garota fascinante, é um daqueles com finais ambíguos. A conclusão sobre o que aconteceu fica a critério do leitor. Tem ótimos trechos de flashback que mostram como o protagonista chegou até ali. Interessante também é a participação de alguns personagens de Conta Comigo na história.
Para Owen, devo ter achado uma porcaria. Ou nem cheguei a ler. Porque não me lembro.
Sobrevivente conta os dias de um sujeito completamente obstinado preso em uma ilha deserta depois de um naufrágio. Com apenas um suprimento limitado de heroína para sobreviver, o protagonista encontra uma forma bem peculiar de não morrer de fome. Me fez lembrar de um diálogo do filme Conta Comigo (também escrito por King) que é da seguinte forma:
 - Alguém trouxe comida?
 - Eu, não!
 - Ah, legal, e o que vamos comer? Nossos pés?

O Caminhão do Tio Otto, assim como O Macaco, assim como Christine, assim como... muita coisa já escrita, de King ou não, mostra mais uma vez, um objeto inanimado com instintos assassinos. Só para quem gosta mesmo.
Entregas Matinais (leiteiro n°1): Comecei a ler, fiquei entediado, com sono ou Deus sabe mais o que e parei.
O carrão: uma história sobre o jogo da lavanderia (leiteiro nº2)sequência?
Vovó é angustiante porque há poucos períodos da vida da gente nos quais temos mais medos do que na nossa infância? A temática principal desse conto faz lembrar um pouco dos momentos finais de Atividade Paranormal 3.
A Balada do Projétil Flexível é, de longe, o melhor conto do livro. Talvez seja até o melhor conto escrito por King, mas é difícil afirmar isso categoricamente. Curiosamente, N., outra história curta de autoria dele que também curti bastante fala do mesmo tema: loucura. Em A Balada, vemos a história de um editor que vai perdendo as estribeiras aos poucos à medida em que se corresponde com um escritor perigosamente excêntrico. O conto nem é tão complexo, mas é difícil de resumir em poucas linhas. Só lendo mesmo.
O Braço de Mar, último conto do livro, é uma porcaria.

Quando estava pesquisando imagens para esse post no São Google, encontrei ilustrações bem bacanas em um blog sobre o autor - http://baudostephenking.wordpress.com, publicadas na edição original americana, na edição portuguesa ou sabe-se lá onde mais. Bem que essas ilustrações poderiam ter sido publicadas aqui, mas... bom, de qualquer forma, dê uma olhada abaixo:
Nona

A Balada do Projétil Flexível

A Imagem do Ceifeiro

Vovó

Sobrevivente

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