quarta-feira, 20 de março de 2013

The Blair Witch Project

É o melhor filme de terror da década de 1990.

E original. Muito original.

Quando vi A Bruxa de Blair (1999) pela primeira vez, a febre que ocorreu na época de lançamento do longa independente já havia passado há muito. Eu tinha dezessete anos e o assisti quando a TV aberta o exibiu pela primeira vez, em 2002. Na ocasião, os 3 elementos necessários no ambiente quando você vai ver um filme de terror estavam OK (1 - estar sozinho; 2 - ser noite; 3 - luzes apagadas) e, pela primeira vez na minha vida, me borrei de medo. Nem mesmo O Exorcista (1973), que assisti pela primeira vez aos quinze anos (embora sem os três elementos citados acima) me impressionou tanto.

A impressão que tive nos primeiros minutos foi "putz, esse filme deve ser um saco!", mas qualquer desconfiança posterior foi sendo substituída pela sensação claustrofóbica que a história passa - o que chega a ser irônico, já que a maior parte do filme se passa a céu aberto. Possivelmente, é o mais intenso suspense psicológico que o cinema já produziu.
Assim como também é perfeitamente possível que alguém já tivesse tido a idéia de fazer um longa metragem no estilo "filmagem amadora em primeira pessoa" antes do lançamento de A Bruxa de Blair - eu mesmo já tinha pensado nisso, e olha que eu era bem jovem - mas a verdade é que as possibilidades de tal produção eram, talvez, arriscadas demais. As chances de dar errado eram muito maiores das de darem certo. Se tal filme viesse a ser produzido, deveria ser feito com o máximo de cuidado nos detalhes, quase na ponta dos dedos.
Méritos de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, os dois responsáveis por produzir, escrever e dirigir o filme que viria a ser o mair sucesso independente até então - só seria superado três anos depois, pela comédia Casamento Grego (2002). O que eu disse sobre cuidado nos detalhes foi seguido à risca pelos sujeitos. Antes do lançamento, foi divulgado uma espécie de documentário chamado A Maldição da Bruxa de Blair, que narrava os estranhos acontecimentos envolvendo a cidade de Burkittsville, no estado de Maryland, a duas horas de viagem de Washington.
Em fevereiro de 1785, várias crianças da pequena cidade de Blair, Maryland, acusaram Elly Kedward de levá-las para sua casa e tirar sangue delas. Kedward foi considerada culpada de praticar bruxaria e foi banida do vilarejo, naquele que foi considerado um dos mais terríveis invernos já registrados. A mulher foi abandonada na floresta à própria sorte e considerada morta. Em novembro do ano seguinte, todos os que acusaram Kedward e metade das crianças da cidade desapareceram sem deixar vestígios. Temendo uma maldição, a população abandonou Blair e jurou jamais pronunciar o nome Elly Kedward novamente.
Em novembro de 1809, o raro livro The Blair Witch Cult é publicado. Considerado ficção, ele fala sobre uma cidade amaldiçoada por uma bruxa que fora banida.
Em 1824, Burkittsville é fundada onde outrora existiu Blair.
Em agosto de 1825, onze testemunhas afirmam terem visto uma mão feminina puxar e arrastar a pequena Eileen Treacle, de dez anos, para dentro do Tappy East Creek, um pequeno riacho local. Seu corpo nunca foi encontrado e treze dias depois, a água do riacho ficou com um aspecto oleoso.
Em março de 1886, o garotinho Robin Weaver, de oito anos de idade, foi dado como desaparecido e equipes de busca foram enviadas em seu encalço. Weaver voltou, mas a equipe de busca não. Semanas depois, seus corpos foram encontrados amarrados uns aos outros sobre a Pedra do Caixão (Coffin Rock), nos confins da floresta. Em avançado estado de decomposição, estripados e com estranhos símbolos gravados em seus rostos e mãos, os corpos desapareceram assim que a segunda equipe de resgate voltou à cidade em busca de ajuda.
No período entre novembro de 1940 e maio de 1941, sete crianças desapareceram na área ao redor de Burkittsville. Rustin Parr, um velho eremita que morava nas montanhas, entrou em um mercado certo dia e disse "finalmente acabei". Depois da polícia vasculhar por quatro horas por sua casa na floresta, encontraram os corpos das sete crianças desaparecidas, no porão. Cada uma delas foi assassinada de forma ritualística e estripada. Parr admitiu tudo em detalhes e contou às autoridades que fizera aquilo seguindo as ordens do "fantasma de uma velha" que habitava a floresta perto de sua casa. Ele foi rapidamente condenado e enforcado.

Cronologicamente, é em outubro de 1994 que começam os eventos mostrados em A Bruxa de Blair. Antes do início do filme, é mostrado um texto dizendo que três estudantes de cinema desapareceram na floresta de Black Hills, em Burkittsville, enquanto filmavam um documentário sobre uma lenda local.

Um ano depois, suas gravações foram encontradas.

Toda essa mitologia criada rica em detalhes criada para o filme fez de A Bruxa de Blair mais grandioso do que seus 22 mil dólares de orçamento poderiam fazer. Tanto que, Heather Donahue, Michael Wiliams e Josh Leonard, os três (atores) estudantes que desapareceram, realmente pensavam se tratar de uma lenda verdadeira até o término das filmagens.

Eu já disse há muito tempo que muita coisa, se feita da maneira mais simples, pode ficar melhor do que as complexas. A Bruxa de Blair é um ótimo exemplo disso.

Os fatos que levam à "justificativa" para a existência do documentário seriam os dois anos seguintes à descoberta do material gravado pelos jovens. Depois de meses de investigações inconclusivas, as fitas foram devolvidas às famílias dos três. A mãe de Heather contratou a Haxan Films - produtora do filme na vida real - para examinar as gravações e editar os eventos ocorridos entre 20 e 28 de outubro de 1994.

O filme começa com Heather, Michael e Joshua se reunindo e fazendo os preparativos para começar a gravar o documentário, arrumando o equipamento e comprando provisões para passar dois dias na floresta. Começam as gravações com imagens do cemitério de Burkittsville e Heather se diz curiosa sobre a existência de tantos túmulos de crianças no local, sobretudo dos anos quarenta.
A seguir, é hora de entrevistar os moradores da cidade sobre a lenda da bruxa. Os mais novos afirmam não saber muitos detalhes, mas os mais velhos têm um ponto de vista diferente. Os estudantes chegam à casa de Mary Brown, uma idosa meio louca que afirma ter visto a bruxa quando era criança. Brown conta que estava pescando com seu pai no Tappy Creek quando viu uma mulher meio humana meio animal olhando para ela. A mulher usava um xale e, quando o abriu, Brown viu que todo o corpo dela era coberto por pêlos.

Com o início do trabalho já filmado, os três decidem que é hora de entrar na floresta.
O "documentário" feito pelos diretores dá a clara impressão de que o que aconteceu com os três foi um fato verídico. Tanto que, na época, os perfis dos três atores principais no IMDb (o maior site de cinema que existe) foram marcados como "desaparecidos". Até hoje, no site oficial de A Bruxa de Blair, é possível ver entrevistas sobre o que teria acontecido com os estudantes, além de detalhes horripilantes sobre toda a mitologia que ronda a estranha cidade de Burkittsville.

Não vou adiantar muito o que acontece no restante do longa, mas há dois momentos máximos de tensão: quando os estudantes estão dormindo na barraca e ouvem vozes de crianças do lado de fora e, é claro, o final, quando eles encontram... bem, assista e descubra por si.

O estilo de filmagem, por mais tosco que possa parecer, foi usado por um punhado de produções do gênero nas duas décadas seguintes. Puxando pela memória, posso me lembrar de [REC] (2009), Cloverfield (2008) e, é claro, Atividade Paranormal (2007). Contudo, por mais que a franquia de Oren Peli esteja a caminho da sua quarta sequência - nunca é demais lembrar que foi a lenda de Burkittsville que começou tudo.

A Bruxa de Blair (1999) - trailer




Galeria:



Mary Brown

O mítico Tappy East Creek

A Pedra do Caixão (Coffin Rock)

A Pedra do Caixão (Coffin Rock)

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