segunda-feira, 25 de março de 2013

Prometheus

Um erro bem grande a ser cometido se você for ver o filme Prometheus (2012) é acreditar que seja "apenas" um prólogo para a franquia Alien. Eu fiz isso. Como assisti com a expectativa de que o novo longa fosse desvendar vários mistérios pendentes desde o filme de 1979, acabei não curtindo tanto quanto os que foram ao cinema sem terem visto Alien anteriormente. Para os "iniciantes" nesse universo, Prometheus funciona como um ótimo filme de ficção-científica com um gancho no final para uma sequência. Já para os familiarizados com toda a saga dos monstrengos mais terríveis do cinema, ficou aquele gosto de furos no roteiro - se a idéia era de mostrar como tudo começou - perguntas não respondidas e ainda mais pontas soltas do que antes.
Contudo, não foi por falta de aviso. Nos meses que antecederam ao lançamento do filme, o próprio diretor Ridley Scott afirmou que Prometheus, apesar de fazer parte desse mesmo mundo, não era exatamente um filme dos Aliens.
O filme começa com um casal de arqueólogos trabalhando na escavação de uma caverna na Escócia no ano de 2089. Ao encontrar pinturas de milhares de anos nas rochas, ambos chegam à conclusão de que desenhos semelhantes foram vistos em outros sitios arqueológicos ao redor do mundo, mas com grande diferença de tempo entre eles. O que as pinturas têm em comum é a indicação de um sistema solar do qual tais civilizações não poderiam conhecer. Ou não deveriam.
Cinco anos depois, a nave Prometheus ruma ao planeta indicado nas cavernas. Além dos dois arqueólogos, a Companhia Weyland - a mesma dona da Nostromo do filme original - enviou alguns geólogos além, é claro, de um andróide. A teoria dos arqueólogos é de que a raça responsável pelas pinturas esteja ligada de algum modo à própria existência de vida na Terra. Essa abordagem sequer é algo inédito no cinema. Em 2000, o filme Missão: Marte sustentou uma idéia parecida.
Se levarmos em consideração toda a saga de Aliens - incluindo seus dois filmes com o Predador, Prometheus é o mais filosófico e profundo de todos. Um tema presente no longa inteiro é a relação do homem com o seu criador e a eterna questão religião versus ciência. Apesar da cientista acreditar que os alienígenas são os nossos "engenheiros", não tira o crucifixo pendurado no pescoço. A busca pelo criador é sintetizada também na existência do andróide David, embora ele saiba quem são seus próprios "engenheiros".
Já no planeta, a equipe de exploração encontra uma rede de cavernas com vestígios de presença orgânica. Através de um holograma, descobre que os Engenheiros tiveram que fugir às pressas dali cerca de dois mil anos antes.O motivo não é revelado, mas David acha um deles ainda vivo dentro de uma câmara de hibernação.
A presença do Alien entra em cena quando David tenta fazer uma experiência usando um dos cientistas. A partir dessa premissa, a questão da evolução genética também dá as caras no filme, já que a criatura que aparece no filme é...
Acho que já contei demais, não? Não vou estragar mais surpresas para quem ainda não viu. Como disse antes, cometi o erro de criar a expectativa de que Prometheus fosse um tipo de Alien Begins. De certa forma é, mas não apenas isso.
Contudo, creio que só será possível afirmar que a nova série vai somar positivamente algo à antiga depois do lançamento da primeira sequência, no mínimo. Mas já é um bom aperitivo.
Prometheus (2012) - trailer

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