terça-feira, 26 de março de 2013

O Silêncio dos Cordeiros

Jack Crawford: - Acredite em mim, você não quer que Hannibal Lecter entre na sua mente


Todo mundo sabe o quanto é difícil produzir uma adaptação de livro para as telas de cinema sem descaracterizar a obra original. A maioria das pessoas afirma que "o livro sempre é melhor". Concordo que geralmente é isso mesmo que acontece, mas sem dúvida isso não é uma regra sem exceções. Há bons exemplos de obras literárias que, nas mãos dos diretores e roteiristas adequados, renderam bons filmes. Há também aqueles raros casos de filmes que até superam as versões escritas.
Há poucos dias, terminei de ler o livro O Silêncio dos Inocentes (The Silence of The Lambs, de Thomas Harris) que, em 1991 teve lançada a sua versão cinematográfica. Fiquei positivamente surpreso com o livro, que me fez chegar à conclusão que a versão dos cinemas foi muito bem adaptada. Certamente os responsáveis por isso são o diretor Jonathan Demme (o mesmo de Filadélfia) e o roteirista Ted Tally, que também adaptou outra obra da mesma trilogia, Dragão Vermelho. Obviamente não dá pra ignorar o trabalho de Anthony Hopkins como um dos vilões mais assustadores, profundos e geniais do cinema, o psiquiatra canibal Hannibal Lecter, assim como a interpretação de Jodie Foster como a protagonista, a agente do FBI Clarice Starling. Nesse caso, a adaptação do livro para as telas do cinema foi tão bem feita que é perfeitamente possível falar sobre as duas obras nesse único post. Todos os elementos que foram limados do livro na transposição para o roteiro do filme não eram indispensáveis. Isso sem falar que o epílogo do livro é um tanto romântico e o do filme é um pouco assustador e tem um leve gancho para a sequência que foi produzida dez anos depois.
Já falei por aqui que, entre filmes de serial killer, prefiro Se7en - Os Sete Crimes Capitais a O Silêncio dos Inocentes, mas é inegável que o filme de Hannibal Lecter é muito mais profundo psicologicamente. Contudo, seria um erro afirmar que essa nuance da história se deve unicamente ao personagem de Hopkins. A protagonista de O Silêncio dos Inocentes, a estagiária a agente do FBI Clarice Starling também tem sua cabeça esmiuçada pelo autor da obra.
Um fato interessante que pouca gente sabe é que os outros dois filmes da trilogia (Hannibal, 2001 e Dragão Vermelho, 2002) também são adaptações de livros e não obras feitas de maneira totalmente comerciais para aproveitar o sucesso do primeiro filme. Contudo, os livros originais foram publicados de forma cronologicamente correta com relação à história: Dragão Vermelho, O Silêncio dos Inocentes e Hannibal. Em 2007, foi lançado nos cinemas Hannibal: A Origem do Mal (Hannibal Rising), quarto filme da franquia e baseado também no mais recente livro de Harris.
O Silêncio dos Inocentes começa com a estagiária do FBI Clarice Starling "ganhando" a tarefa de entrevistar um famoso assassino preso em um manicômio, com a finalidade de ajudar a melhorar a capacidade do FBI em identificar perfis psicológicos de criminosos. O tal assassino é o psiquiatra Hannibal Lecter, conhecido como Hannibal, The Cannibal. Entretanto, quando o chefe de Clarice, Jack Crawford a enviou para a tal missão, o que ele queria era uma espécie de apoio psiquiátrico para ajudar a identificar e encontrar um assassino em série à solta, chamado pela imprensa de Buffalo Bill. Bill sequestra mulheres ligeiramente acima do peso e as esfola. Quando Clarice descobre o plano de Crawford, resolve pedir ajuda diretamente a Lecter, que parece se divertir com o caso. Contudo, o psiquiatra quer algumas coisas em troca, como transferência para outra prisão. Mas o que torna o filme mais intenso acontece quando Lecter sugere a Starling um quid pro quo (uma espécie de toma lá, dá cá): Hannibal ajuda a traçar o perfil de Buffalo Bill em troca de informações pessoais de Clarice. Essas sequências de diálogos dos dois são ótimas.
No filme, a atuação de Anthony Hopkins como Hannibal é espetacular. Consegue transportar toda a genialidade do personagem do livro para as telas de cinema.

Hannibal Lecter: - Um agente do censo tentou me testar uma vez. Eu comi seu fígado com feijão e um bom chianti

Embora eu não dê mais a mínima para o prêmio da Academia, vale comentar que O Silêncio dos Inocentes ganhou cinco Oscar: Ator (Anthony Hopkins), atriz (Jodie Foster), diretor (Jonathan Demme), roteiro adaptado (Ted Tally) e Melhor Filme.

Vale a pena ver.

O Silêncio dos Inocentes - trailer

Nenhum comentário: