sexta-feira, 22 de março de 2013

O Caçador de Andróides

É meu filme favorito. Bem, provavelmente.
Como todo longa-metragem que é considerado um dos melhores de todos os tempos, eu me decepcionei um pouco na primeira vez em que o assisti - por esse motivo é que gosto de não saber quase nada sobre um filme antes de vê-lo. Contudo, como já me aconteceu muitas vezes, minha opinião mudou razoavelmente depois da segunda vez.
A começar por dois aspectos técnicos, o visual e a trilha sonora, Blade Runner é bem peculiar. Gosto de filmes com ambientes sombrios, chuvosos, noturnos. Praticamente toda a história que conta a caça do blade runner Deckard a quatro replicantes transgressores se passa à noite. A exceção é a cena do epílogo da versão original, que também é uma das cenas mais controversas da história do cinema. Não pela cena em si, que na prática nada mais é do que algumas sobras da sequência de abertura de O Iluminado (1980), mas pelo contexto em que foi inserida na película. Na época do lançamento do filme, os produtores acharam que o final dado pelo diretor Ridley Scott era, digamos, pouco feliz demais. Além disso, era um final aberto a interpretações, parecido com o desfecho de A Origem (2010), só pra citar um exemplo. Então, Scott foi meio que obrigado a fazer um epílogo com uma narração do personagem principal em off explicando o que aconteceu. Se foi o caso de terem subestimado a inteligência do público, isso eu não sei, mas dez anos se passaram até que o final imaginado por Scott fosse, de fato, considerado como sendo mesmo o fim do filme. Seja como for, na época de seu lançamento, Blade Runner foi considerado um fracasso de bilheteria, talvez por ter sido lançado na mesma época em que o hoje cult E.T., O Extraterrestre, de Spielberg. Blade Runner, estrelado por Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young e Daryl Hannah ainda levaria alguns anos até ser respeitado como é hoje.

De qualquer forma, por sorte ou não, a primeira vez que vi Blade Runner foi justamente a Versão do Diretor, sem saber do final "anexo" na versão dos cinemas de 1982. Essa cena, só vi recentemente no YouTube e tenho a opinião de que, de fato ela é dispensável. Gosto de finais que deixam alguma coisa no ar. Nem sempre há a necessidade de se explicar tudo, embora neste caso, Scott tenha cagüetado a verdadeira natureza do protagonista do filme há alguns anos.
Sobre essa questão, Harrison Ford e Rutger Hauer também discordaram. Tanto que Ford teria ficado bem puto ao ser obrigado a fazer a gravação em off para o epílogo original. Dizem que ele, de propósito, atuou mal nessa gravação. Em entrevista, o ator desmentiu e disse que foi apenas uma atuação ruim. Mesmo assim, Ford se recusou a falar do filme por anos e sua relação com Ridley Scott não foi das melhores.

Blade Runner é baseado no livro "Do Androids Dream of Electric Sheep?", de Philip K. Dick - escritor de O Vingador do Futuro. A história se passa em Los Angeles, em novembro de 2019. A Tyrrell Corporation chegou no nível da engenharia genética suficiente para criar os replicantes - seres quase idênticos aos humanos - com a finalidade de serem usados como escravos nas colônias extraterrestres. Quando chegaram à fase Nexus 6, a empresa já conseguia produzir replicantes tão perfeitos que eram no mínimo tão inteligentes quanto os engenheiros que os criaram. Contudo, eram fisicamente superiores.
Depois de um motim sangrento em uma colônia fora da Terra, os replicantes foram declarados ilegais no planeta. Na força policial, foram criados os blade runners - unidades caçadoras de andróides com a finalidade de eliminar qualquer replicante transgressor. Isso não era chamado de execução e sim de retirada.
É nesse cenário que Deckard, policial fora da ativa, é convocado pelo seu ex-chefe para encontrar e retirar quatro replicantes que tentaram invadir a Tyrrell Corporation por motivos desconhecidos. A única pista que Deckard tem é a informação de que os Nexus 6 têm vida útil de apenas quatro anos, para evitar que desenvolvam emoções com o passar do tempo. Enquanto isso, o grupo liderado pelo replicante Roy continua tentando acesso a Tyrrell.

Blade Runner é uma rara ficção-científica com alguma profundidade filosófica. Usando como metáfora a própria existência dos replicantes, fala de vida e, de certa forma, na eterna busca do homem pelas suas origens. Recentemente, Ridley Scott voltou ao tema em Prometheus (2012), uma espécie de prequela da franquia de Alien.
A trilha sonora, composta pelo grego Vangelis, também é bem interessante. Esqueça os trabalhos grandiosos de John Williams, Ennio Morricone, Thomas Newman e similares. A música de Blade Runner é condizente com toda a atmosfera do filme.

Controvérsias à parte, a história do caçador de replicantes se tornou um verdadeiro clássico.

Blade Runner (1982) - trailer

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