segunda-feira, 4 de março de 2013

Hábitos Perigosos


Edição da Pixel, de 2008
Comecei a me interessar por quadrinhos há dezoito anos, depois de ver o Homem de Aço perder a vida em A Morte do Superman. Essa história me trouxe ao universo dos super-heróis americanos - sobretudo da DC Comics - e isso durou bastante tempo.  Meu gosto por esse gênero começou a decair devido às sagas cósmicas se tornarem um tanto repetitivas. A meu ver, a última história realmente legal publicadas nas revistas mensais por aqui foi Terra de Ninguém, do Batman. De lá para cá, houveram boas histórias esporádicas, como Silêncio e Cidade Castigada, ambas também do universo do Homem-Morcego.
Depois que parei com os heróis, minha atenção se voltou para a Vertigo, o selo de quadrinhos adultos da DC Comics. Embora Sandman seja o meu título favorito de todos os tempos e, ultimamente eu ter minha atenção voltada a 100 Balas e Fábulas, a história que me levou a esse novo gênero foi Hábitos Perigosos, estrelada por John Constantine - esse mesmo, do filme com o Keanu Reeves.
Apesar de ter sido republicada em uma bela edição pela Editora Pixel Media em 2008, a primeira vez que li essa que é a melhor história do personagem foi através da clássica - e de curta duração - Vertigo, publicada pela Editora Abril em 1995. Apesar de, na época estar viciado em Superman e Batman, ler essa história pode ter sido uma espécie de prólogo pra mim, já que hoje em dia a maior parte do que leio é da Vertigo.
Hábitos Perigosos, além de ser a melhor história de Constantine já feita - méritos do escritor Garth Ennis - é uma ótima forma de ser apresentado ao personagem. Tudo está lá: a arrogância, a pose, o sarcasmo, os cigarros, além, é claro, da magia. Assim como o Dr. House é um dos personagens mais originais já criados para uma série de TV, John Constantine é o mesmo para as HQ's.
Publicada originalmente em 1991, a primeira parte da história, adequadamente intitulada de O Início do Fim, mostra John sentado em uma lanchonete em Londres enquanto se lembra de seus últimos dias. Na semana anterior, acordou no meio da noite com sangue em sua boca e, quando chegou ao banheiro, vomitou algo na pia. Algo que não era sangue e sequer líquido. Era um pedaço de si mesmo.
Rapidamente, John começa a imaginar as possibilidades. Talvez o que esteja acontecendo tenha a ver com o seu turbulento passado relacionado à magia. Talvez seja a vingança de um inimigo antigo. Entretanto, seu verdadeiro problema é um câncer de pulmão em estágio avançado, causado pelos seus trinta cigarros diários.
Terminal.
No início, talvez ingenuamente, Constantine pensa em se internar em um hospital e passar seus últimos dias dopado de analgésicos enquanto aguarda a morte chegar. Em uma visita a uma clínica, conhece Matt, um velhinho nessas mesmas condições. John, no entanto, descarta essa possibilidade e decide tentar o que for necessário para salvar a sua vida.
O Primeiro dos Caídos
No segundo capítulo, intitulado por aqui de Uma Gota do Veneno (na edição da Abril, "Um Trago de Ousadia"), John vai à Irlanda em busca da ajuda de Brendan Finn, antigo parceiro nas artes ocultas. No entanto, Brendan está tão mal quanto ele, sofrendo de cirrose depois de uma vida inteira de bebedeiras. Finn acaba morrendo naquela mesma noite e John descobre que o amigo havia vendido a alma para o Diabo (ou um dos diabos) em troca de ter uma coleção rara de bebidas. Contudo, em um dos pontos altos da história, Constantine ludibria o Primeiro dos Caídos e salva a alma de Finn. Entretanto, pela humilhação, John sabe que, quando morrer, terá tratamento especial no Inferno. Vale lembrar que, nessa época, o Inferno no Universo DC/Vertigo era comandado em regime de triunvirato. Além do Primeiro dos Caídos, o Senhor das Moscas e Belzebu também reinavam nas esferas infernais.
Se antes Constantine não queria morrer, agora ele não se atrevia. Depois de derrotar o Demônio, John sabia que tinha que curar seu câncer para, pelo menos adiar o sofrimento eterno a curto prazo.
Em Amigos Influentes, terceira parte da história, Constantine procura o súcubo Ellie, que lhe revela que o "chefe" está realmente puto lá embaixo e vai descontar todas as frustrações em John quando este chegar ao Inferno. Mesmo assim, John ainda procura ajuda do esnobe anjo Gabriel, que lhe recusa qualquer auxílio. No fim do capítulo, o mago John Constantine finalmente se dá conta que terá que resolver seu problema como sempre teve: sozinho e do próprio jeito.
Do Meu Jeito mostra John se despedindo da família e amigos e se preparando para a sua última cartada. A Picada, mostra o desfecho da história, um dos mais inteligentes das Histórias em Quadrinhos. Não vou revelar o que a acontece, mas adianto que é bem diferente do mostrado no filme Constantine.
Descendo ao Inferno é o epílogo de Hábitos Perigosos.

Essa história, mesmo hoje, muitos anos depois de eu tê-la lido pela primeira vez, ainda é uma das minhas favoritas. Para se ter uma idéia, ela foi usada como base para o longa de 2005, embora essa adaptação não tenha ficado tão boa. Talvez na busca em deixar o personagem mais popular, a Warner americanizou um personagem que tem como marca registrada o fato de ser inglês e hollywoodizou toda a sua mitologia sombria e cinzenta. Contudo, o filme não ficou de todo o ruim. Se esquecermos o personagem original, até dá pra assistir numa boa.

Hábitos Perigosos foi republicada na já mencionada edição da Pixel Media, em 2008. Se você ficou curioso e quer ler essa história, ainda é encontrada com relativa facilidade na internet. Vale cada centavo.

Nenhum comentário: