terça-feira, 26 de março de 2013

Gangster Drama

Já falei várias vezes nessas páginas sobre adaptações de livros para filmes e da febre iniciada na década passada no que diz respeito à transposição de HQ's para as telas de cinema. Contudo, seria um erro bem grande limitar esse gênero apenas aos famosos quadrinhos de heróis.
Não é difícil encontrar bons filmes vindos de quadrinhos alternativos. Sin City é um dos melhores exemplos, embora não tenha sido sucesso de público. Tanto a versão original quanto a versão cinematográfica são duas obras com bastante pegada cult.
Um dos bons filmes produzidos na década de 2000 que pouca gente sabe se tratar de uma adaptação é Estrada Para Perdição (Road to Perdition, 2002), estrelado por Tom Hanks, Paul Newman e Jude Law e dirigido por Sam Mendes - o mesmo de Beleza Americana. Nem tinha a intenção de falar sobre esse filme por aqui, mas li a versão original recentemente através de uma scan - algo que parece estar se tornando um hábito - e achei que foi adaptado com extrema competência, algo difícil no gênero. Em certos aspectos, o filme é até melhor do que a versão original, com óbvias e talvez necessárias hollywoodyzadas por parte dos roteiristas. O personagem de Law, por exemplo, foi criado exclusivamente para o filme.
De tempos em tempos, minhas preferências por gêneros - seja na música ou no cinema - muda. No que diz respeito a filmes, já tive fases como ficção cientifica, terror e gangsteres. Falando desse último, meu favorito - claro! - é O Poderoso Chefão, mas Estrada Para Perdição também é muito bom, com um clima diferente da dos outros.
Como a maioria das histórias do tipo, se passa nos Estados Unidos no início da década de 1930, época em que vigorava a Lei Seca no país. Tom Hanks interpreta Michael Sullivan, homem de confiança do mafioso de origem irlandesa John Rooney (John Looney, na HQ), vivido por Paul Newman. O primeiro ponto de virada na história se dá quando o filho de Sullivan presencia o pai executando uma pessoa. Sem que Sullivan saiba, o filho de Rooney decide tentar matar o garoto como queima de arquivo. No entanto, em um movimento errado, quem acaba sendo assassinado são a esposa e filho mais novo de Sullivan.
Fugindo de todos e sem saber em quem confiar, Sullivan e filho partem para Chicago para tentar obter ajuda de ninguém menos do que Al Capone.
Há algumas diferenças óbvias entre HQ e filme. Enquanto o John Rooney dos quadrinhos é mais um homem de negócios, o do longa-metragem faz mais o gênero paizão, tentando acertar as contas com Sullivan sem mais derramamento de sangue, embora tenha enviado o mercenário interpretado por Law para matá-lo.
Falando unicamente do longa-metragem, além das participações quase sempre ótimas de Hanks, Newman e Law, a atuação do jovem Tyler Hoechlin é digna de nota. A bela Jennifer Jason Leigh e Daniel Craig - como um dos personagens mais filhos da puta da história do cinema - também têm papéis importantes na trama. Para a trilha sonora, Sam Mendes contou com seu parceiro de longa data - o meu favorito para trilhas dramáticas - Thomas Newman.
O final de ambas as versões é bastante parecido, mas o epílogo de Michael Jr. é mostrado apenas na HQ. Como disse antes, os bons filmes vindos de quadrinhos não se restringem apenas aos derivados de super-heróis. Mesmo as histórias menos conhecidas do público em geral podem render interessantes versões para as telonas.
Estrada Para Perdição - trailer

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