terça-feira, 26 de março de 2013

Destinos do Canibal

Anteriormente, já falei sobre adaptações de livros para as telas de cinema por aqui. As versões em live action de obras consagradas da literatura que marcaram positivamente a sétima arte são bem raras, devido principalmente à dificuldade em espremer uma boa história em um filme de duas horas e meia.
Há alguns meses, escrevi sobre a versão cinematográfica de O Silêncio dos Inocentes, mas de certa forma falei também do livro no mesmo post. Uma das razões que fizeram o filme ter dado tão certo foi a fidelidade à história original além, é claro, das ótimas atuações de Jodie Foster e Anthony Hopkins. Pouco depois de ter lido o livro, revi o filme e afirmo categoricamente que há poucas diferenças entre um e o outro. O filme tirou poucas coisas relevantes da versão original de Thomas Harris.
O mesmo não pode ser dito sobre Hannibal, adaptado para os cinemas em 2001 (na época, fui barrado na entrada do cinema por não ter idade suficiente para ver o filme) com Julianne Moore no lugar de Foster a Hopkins repetindo o papel do Dr. Lecter. Não que o filme seja ruim. Ou o livro seja ruim, embora eu o tenha achado inferior a O Silêncio dos Inocentes.
Enquanto lia Hannibal, assisti ao filme para ver as diferenças entre ambos. Até a cena dos porcos - quem viu o filme sabe do que estou falando - é tudo muito parecido. As diferenças básicas estão na presença do mentor de Clarice Starling, Jack Crawford no livro, além da participação maior de Barney, o enfermeiro de Lecter de seus anos no manicômio em Baltimore.
Contudo, a partir do momento do "salvamento" do doutor no celeiro de Mason Verger - interpretado no filme com a competência costumeira de Gary Oldman - as versões tomam rumos diferentes. Não só no que diz respeito aos fatos em si, mas principalmente nas atitudes, valores e motivações da protagonista Clarice Starling. Se você viu o filme, digo que o destino do nêmesis de Starling, Paul Krendler, não é diferente no livro. Aliás, essa cena no filme ficou muito bem feita, sobretudo por ter Hopkins e seu genial Hannibal Lecter. Ray Liotta fez o papel de Krendler.
O que fica claro na versão cinematográfica é que o final foi hollywoodizado pelos roteiristas David Mamet e Steve Zaillian e pelo diretor Ridley Scott. Eles fizeram um final feliz, mais agradável e que desceria mais fácil pela garganta dos expectadores. Clarice se mantém como a mesma heroína do primeiro filme. O único fator que pode causar algum tipo de repulsa em quem vê é a última cena do longa, na qual Hannibal Lecter contracena com um garotinho.
O final da versão original de Thomas Harris é mais imprevisível, insano e, pra quem está acostumado a conclusões convenientes, chega a ser um pouco decepcionante. Contudo, não decepcionante no sentido de "esperava mais", mas sim no sentido de "porra, que fita!". No livro, a loucura meio que comanda as ações. Mesmo assim, não se pode dizer que a conclusão do livro seja infeliz. De certa forma, embora seja mais sombria, também é muito mais romântica. Ou pelo menos, o que uma figura como Hannibal, O Canibal chamaria de romântica.
Qual é o melhor? Difícil definir. Hannibal é um daqueles casos em que depende mais de quem vê do que da obra em si.
Hannibal (2001) - trailer

4 comentários:

José Antônio (Jam) disse...

Augusto, li os seus posts sobre Lecter meio que por tabela, através dos seus comentários em meu blog e confesso cara, adorei! Muito bem escritos. Acabei lendo todos eles e me deliciei.
Parabéns!!

Augusto Fernandes Sales disse...

É nóis, mano!

Fábio de Oliveira Matos disse...

Acabei de ler o Silêncio dos Inocentes e fiquei em dúvida se leio ou não Hannibal.

Parabéns pelo blog!

Abraços.

Augusto Sales disse...

Na minha opinião, enquanto O Silêncio dos Inocentes é bom tanto como livro quanto na versão pro cinema, Hannibal é o caso de um bom livro adaptado meio que nas coxas. Mas, na dúvida, veja e leia tudo o que puder.

Grande abraço, Fábio!