sábado, 30 de março de 2013

Desespero


Para quem acompanha isso aqui há algum tempo, não é segredo que Stephen King é um dos meus escritores favoritos. Tanto que o nome deste blog - assim como o do que o precedeu - vem de uma história dele.
Mesmo assim, diferente de algumas pessoas que curtem o trabalho de determinada pessoa - seja ator, cantor, escritor - não sou daqueles que acham o trabalho do sujeito impecável só porque ele é O Cara. Não creio que já tenha havido alguma pessoa que não tenha tido seus baixos.
Obviamente que, se gosto de King a ponto de rotulá-lo como um dos meus escritores favoritos, acho a maioria dos seus livros e contos excelentes. Particularmente, os meus preferidos são os livros O Cemitério, O Iluminado e A História de Lisey e os contos N. e A Balada do Projétil Flexível. Carrie e À Espera de Um Milagre são muito bons, A Maldição do Cigano é bom, A Hora do Vampiro é mais ou menos e Os Olhos do Dragão é uma porcaria.
Desespero, escrito em meados dos anos noventa é apenas regular. Está abaixo da média do escritor, mas seria injustiça dizer que é uma história ruim. Há alguns elementos que eu ainda não havia visto em nenhuma das obras mencionadas acima, que é a presença do Deus cristão na história. E a participação não apenas de um personagem que tem fé na Bíblia, mas da ação divina no decorrer dos trágicos fatos ocorridos na cidade de Desespero.
No início, são mostrados os encontros de várias pessoas sem nada em comum - exceto pelo fato de viajarem pela Rodovia 50, a mais solitária dos Estados Unidos - com o estranho policial Collie Entragian. A família Carver, o escritor John Marinville e o casal Jackson são levados sob custódia aparentemente sem motivos para a cidade de Desespero, que fica à beira da estrada. Contudo, pouco depois começam a perceber que há algo de errado tanto com a cidade quanto com o policial Entragian.
No início do livro está o melhor trecho da história, no qual tudo ainda é muito obscuro. Diferente de outras obras do autor, a qualidade cai um pouco com o decorrer da obra. A meu ver, Desespero deveria ter seguido a linha de A Balada do Projétil Flexível e N, ou seja, deveria focar na aparente loucura de Entragian. Contudo, o que se sobressai são os aspectos sobrenaturais.
Também falta algum personagem cativante, daqueles que empolgam o leitor com uma personalidade que marque. John Marinville esboça ocupar esse lugar na história, mas perto do fim vira um personagem comum, embora sua importância para a conclusão de tudo aumente.
Como disse antes, Desespero não chega a ser um livro ruim. Mas está bem longe do nível das melhores histórias de King.
P.S: Enquanto procurava uma foto da capa do livro para postar aqui, descobri que Desespero foi adaptado para filme de TV em 2006. Como nunca tinha ouvido falar disso, comecei a desconfiar da qualidade da película... desconfiança que foi confirmada quando vi o trailer - pô, colocaram o Ron Perlman como Entragian!

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