segunda-feira, 25 de março de 2013

Amores

Eu tinha a absoluta certeza de que não iria gostar de O Amor Nos Tempos do Cólera (Love in the Time of Cholera, 2007), filme baseado em um livro de Gabriel Gárcia Márquez mas, como em algumas outras vezes, fui surpreendido. Contudo, o longa me afetou de maneira mais pessoal e íntima do que eu mesmo poderia imaginar.

Antes de tudo, é preciso ser dito que o... bem, você sabe, a palavra com "a", realmente existe, por mais que se diga o contrário. Eu mesmo muitas vezes afirmo categoricamente para algumas pessoas que não, mas no fundo sei que não é bem assim. Por mais superficiais e baseadas em sexo que sejam todas as coisas, acho que há muita gente por aí que já o sentiu de verdade. Eu também poderia dizer que a maioria das pessoas apenas acha que o sentiu, mas seria muita presunção da minha parte.
E é exatamente nessa afirmação que reside o motivo de eu ter gostado de O Amor Nos Tempos do Cólera.
Um dos principais motivos que me fizeram ver duas vezes o mesmo filme em um intervalo relativamente pequeno - sete dias, coisa rara até mesmo para mim - foi a verossimilhança das atitudes de Florentino Ariza com relação à sua situação referente ao próprio sentimento. O que fez sua dor profunda ficar mais branda. A descoberta de outra pessoa que fez com que parasse de pensar na amada - neste caso, apenas por um tempo.
Não sei dizer se foi essa a intenção de Márquez, já que não conheço a obra do cara, mas a verdade é que vários tipos de amor - aí está a palavra, afinal - são retratados na história.
O que acaba se tornando o carro-chefe do filme é aquele amor romântico ao extremo. Poético mesmo, sobretudo do ponto de vista do homem. Mas também há aquele um tanto prático, que une duas pessoas que se gostam e que decidem viver juntas sem ter aquela intensidade de uma paixão avassaladora.
Há também aqueles que são breves.
Há aquele que serve de área de escape para algo de que não se quer escapar.
Há os que terminam em tragédia.
E há aquele que sobrevive ao tempo.


O Amor nos Tempos do Cólera - trailer



Com Javier Bardem (na época em que fez Onde Os Fracos Não Têm Vez), Giovanna Mezzogiorno e Benjamin Bratt. Dirigido por Mike Newell. Antonio Pinto - da trilha sonora de Senna (2010) e Shakira concorreram ao Globo de Ouro de Melhor Canção com a música Despedida.

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