segunda-feira, 4 de março de 2013

A gênese do Morcego

Já havia dito em algum post por aqui que o Batman é o personagem das HQ's com as melhores histórias. Não estou afirmando que o Homem-Morcego é o meu personagem favorito - embora esteja entre eles - mas, sobretudo nos últimos vinte e cinco anos, ele é um dos que renderam o maior número de obras que viriam a se tornar clássicas.
Em meados dos anos oitenta, a DC Comics decidiu fazer uma "faxina" na bagunçada cronologia do universo de heróis da editora. Foi criada a maxissérie Crise Nas Infinitas Terras que varreu todos os universos paralelos presentes nas histórias e unificou tudo o que havia. Em seguida, foi a vez e serem contadas as novas origens dos principais personagens. Enquanto o Superman ficou a cargo de John Byrne e a Mulher-Maravilha foi reestruturada por George Pérez, a missão de trazer a origem de Batman para os dias atuais ficou sob responsabilidade de Frank Miller, que já havia conquistado o respeito com os leitores após escrever e desenhar a também clássica Batman: O Cavaleiro das Trevas, que contava os últimos dias do herói. Agora, Miller deveria escrever como tudo começou.
Provavelmente o maior trunfo de Batman: Ano Um, publicada originalmente na revista regular do personagem, tenha sido priorizar o aspecto humano, e não o "super-heroístico". Enquanto Superman era um ser vindo de outro planeta e a Mulher-Maravilha tinha sua origem ligada aos deuses gregos, Batman era apenas um ser humano comum com um objetivo. Além disso, Ano Um também mostra uma Gotham City tomada pela corrupção das autoridades e pela violência urbana, cenário perfeito para a chegada de um vigilante mascarado.
O ponto de partida da história se dá com a chegada do playboy milionário Bruce Wayne à Gotham depois de anos de exílio no exterior. Ao mesmo tempo, o tenente James Gordon se junta ao Departamento de Polícia, mas conta com a antipatia dos colegas, já que se mostra honesto demais. Aliás, contar as histórias de Batman e Gordon paralelamente foi uma jogada inteligente de Miller, já que mostra os diferentes pontos de vista com relação a um mesmo problema.
Enquanto Bruce Wayne tenta se familiarizar com o lado violento da cidade, Gordon tem que impedir que seus colegas o intimidem. Esse é o tema principal da primeira parte da história.
Em uma de suas primeiras abordagens no submundo, um disfarçado Bruce Wayne sai gravemente ferido depois de entrar em conflito com um cafetão. Percebe que enquanto for visto como um ser humano comum, seus inimigos terão a consciência de que poderão feri-lo. Ao chegar em casa, sangrando quase até a morte, fica sentado na poltrona do estúdio de seu pai decidindo se deve continuar ou não. E refletindo sobre o que falta, o que deve fazer para causar medo àqueles que deve combater.
Em uma das cenas mais emblemáticas das histórias em quadrinhos, um morcego estilhaça a janela do estúdio e Bruce finalmente descobre o que deve se tornar.

Talvez por focar a origem de Batman, nenhum dos grandes vilões aparece em Ano Um, exceto por uma pequena participação de Selina Kyle - que tempos depois se tornaria a Mulher-Gato - e Harvey Dent, ainda retratado como um promotor público idealista e aliado de Batman.

Mesmo sendo lançado cerca de vinte anos depois, o filme Batman Begins (2005), que reiniciou a franquia do Homem-Morcego no cinema, teve muita coisa de Ano Um. Muita mesmo. Até mesmo algumas cenas são quase idênticas às da obra original. Dessas, pode-se destacar o momento em que Batman está em um prédio cercado pela polícia e usa um dispositivo para atrair milhares de morcegos sobre a multidão. E a última cena do filme, na qual Batman conversa com Gordon, remete também ao final de Ano Um.

Batman: Ano Um foi recentemente republicado pela Panini e é fácil de encontrar nas livrarias. O preço está na casa dos vinte e poucos reais.

Como disse no início do post, Batman é um dos personagens dos quadrinhos com as melhores histórias. Ao lado de A Piada Mortal, Ano Um é uma das minhas favoritas.

Abaixo, algumas imagens da obra. Os desenhos são de David Mazzucchelli e Richmond Lewis.




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