sexta-feira, 22 de março de 2013

A casa da porta vermelha

Pra saber o que faz de Beleza Americana (American Beauty, 1999) o que é, basta ver os quesitos em que foi indicado ao Oscar. Em primeiro lugar, o roteiro. Nem sempre é preciso viagens espaciais ou tramas complexas cheias de amarras para uma boa história. Às vezes, a simplicidade é tudo.

"Meu nome é Lester Burnham. Esse é meu bairro. Essa é a minha rua. Esta é a minha vida. Tenho 42 anos de idade e em menos de um ano... estarei morto. É claro que não sei disso ainda. E, de certa forma, já estou morto."

As palavras acima abrem os acontecimentos que estão por vir e deixam claro de antemão em como eles vão terminar. Contudo, se pararmos pra pensar, essa é a forma em que todas as nossas histórias terminam, então o importante mesmo é o caminho até chegar lá. Como vivemos nossas vidinhas idiotas.

Lester perdeu todo o tesão pela vida. Sua mulher o acha um perdedor, sua filha o odeia e seu emprego - que também não é grande coisa - está por um fio. Mesmo assim, como ele mesmo narra no começo de tudo, nunca é tarde pra mudar.

O que tira Lester da apatia sequer é algo incomum. Sabe quando você bate os olhos em alguém e essa pessoa lhe tira dos eixos, mexe com todo o seu instinto animal e passa a ocupar sua mente por mais que você tente evitar? Não estou falando da palavra com "a", mas da coisa sexual mesmo, quando a química corporal impede que pensemos direito. Eu mesmo já passei por isso - qualquer dia eu conto a história.

Quando esse tipo de coisa acontece, na maioria das vezes nos tira um pouco da apatia, do torpor que a rotina nos causa.

No caso de Lester, a pessoa que lhe estremece o lado animal não poderia ser mais inacessível: a adolescente espevitada Angela, a melhor amiga da sua filha. Isso acontece de forma brusca no começo, assim que Lester bota os olhos na garota, mas passa a mudá-lo gradativamente. A cena que marca de vez essa passagem de fase na vida do quarentão é hilária - não quis postá-la nos videos abaixo pra não estragar a surpresa - mas envolve Lester, sua mulher Carolyn e uma "descascada de banana".

"É ótimo quando a gente percebe que ainda tem a capacidade de se surpreender. A gente fica pensando sobre o que mais pode fazer que já tenha esquecido"

Burnham decide retomar o controle da sua vida. Manda seu emprego pro inferno e passa a fazer o que lhe dá na telha. E, como a primeira citação do filme dá a entender, muitas vezes o preço a se pagar é bem alto. Mas será que não vale a pena mesmo assim?

Lester é um dos personagens mais inspiradores para a vida que eu já encontrei em filmes.

Além do prêmio de Melhor Filme, a Academia ainda o premiou nas categorias de Ator (Kevin Spacey como Lester, merecidíssimo), Melhor Fotografia (Conrad L. Hall), Diretor (Sam Mendes, de Estrada Para Perdição) e Roteiro Original (Alan Ball), além das indicações de Annette Bening (atriz), Tariq Anwar e Christopher Greenbury (edição) e o sempre bom Thomas Newman (trilha sonora, já postada aqui).

American Beauty (1999) - trailer

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