segunda-feira, 4 de março de 2013

A Batalha do Século XX

Embora meu gosto por um determinado gênero de quadrinhos esteja totalmente diferente de quando comecei a lê-los há quase dezoito anos, é provável que a fase que mais me marcou ainda esteja nos primeiros tempos. Como já disse, a história que me trouxe ao mundo das HQ's de heróis foi a clássica A Morte do Superman. Devido a isso, até os dias de hoje, mais da metade da minha biblioteca pessoal é de material da DC.
DC Versus Marvel #1
Em 1997, a Abril publicou aqui em terras brasileiras a história que traria (ou, pelo menos, deveria trazer) o crossover (encontro de dois ou mais personagens importantes, do mesmo universo ou não) definitivo entre as duas maiores editoras de super-heróis americanos: a DC Comics e a Marvel Comics.
No final dos anos setenta e início dos anos oitenta, quatro desses encontros já haviam acontecido. Duas edições de Superman & Homem-Aranha, uma de Batman vs O Incrível Hulk eu uma de X-Men vs Novos Titãs. Desses, tenho as edições brasileiras de Batman vs Hulk e o segundo entre Super e Aranha. Nessa época, cogitava-se fazer um encontro entre as duas maiores equipes de cada editora, Liga da Justiça e Vingadores, mas uma briga entre Marvel e DC cancelou o projeto, que só viria a ser concluído há poucos anos.
Nesse meio tempo, houve a década de noventa, ao mesmo tempo amada e odiada pelos fãs mais fervorosos desse gênero de quadrinhos. Eu, por ter começado justamente nessa época, sou suspeito pra falar, já que esse período engloba a minha saudosa fase de moleque, ou o que eu chamo de a minha época clássica. Nesses tempos, depois de anos de espera, finalmente a Marvel e a DC entraram em um acordo e se juntaram para produzir uma das mais (polêmicas) aguardadas sagas de todos os tempos.
Superman vs Hulk
DC Versus Marvel/Marvel Versus DC foi publicado aqui em 1997. Particularmente, eu adorei essa história, mas só agora, muitos anos depois, me dei conta de que fui um dos poucos. Pesquisando um pouco na net pra fazer esse post, vi que muitos fãs mais presentes na continuidade de ambas as editoras simplesmente ODEIAM essa minissérie.
Contudo, mesmo gostando dessa história - talvez mais pela época em que foi publicada e pela minha idade na ocasião - admito que não chega aos pés da grandeza de que tal saga deveria ter. É verdade que o roteiro é bem fraco e sem profundidade nenhuma, os confrontos são curtos e superficiais, além de terem resultados no mínimo questionáveis. Mas vamos começar do início.
Na história, cada Universo é representado por uma entidade cósmica independente que, depois de eras, finalmente notou a presença um da outra e, por algum motivo que não faz muito sentido, decide que ambas não podem coexistir. A outra deve ser destruída. No início da crise, algumas anomalias começam a acontecer, como personagens de uma editora aparecendo no universo da outra. Um desses primeiros encontros ocorre quando o Homem-Aranha vai parar em Gotham City e "se tromba" com o Coringa em cima de um telhado.
Depois, as tais entidades reúnem seus personagens mais fortes e lançam uns contra os outros. Segundo as regras deles, o universo com maior número de derrotas deve deixar de existir.
Wolverine versus Lobo
Os resultados dos confrontos principais foram decididos pelos próprios leitores por votação telefônica, o que significa duas coisas: as editoras não tiveram coragem o suficiente para decidir por conta própria e muitos personagens só venceram porque eram mais populares e não mais poderosos.
Os confrontos principais foram: Superman vs Hulk, Batman versus Capitão América, Mulher-Maravilha versus Tempestade, Flash versus Mercúrio, Aquaman versus Namor, Thor versus Capitão Marvel, Mulher-Gato versus Elektra, Lobo versus Wolverine, Lanterna Verde versus Surfista Prateado, Homem-Aranha versus Superboy e Robin versus Jubileu.
As lutas mais equilibradas deveriam ter sido mais exploradas, mas a maioria delas ocupou no máximo três páginas. E, mesmo com essa coisa de decisão por popularidade, quase todos os resultados tiveram resultados plausíveis, exceto talvez o confronto entre Mulher-Maravilha e Tempestade e, sobretudo, Lobo versus Wolverine. Nesse caso, por mais barra-pesada que o mutante nanico da Marvel seja, não dá pra conceber a idéia dele derrotar com tanta facilidade um sujeito que já aplicou uma bela surra no Superman. 
Não vou dizer quais foram os demais resultados aqui, mas a maioria dos que não leram já deve ter visto algo a respeito na internet.
Homem-Aranha versus Superboy
Embora eu tenha dito que até que gostei da minissérie em si, também achei que a criação do tal Universo Amálgama após o segundo número foi uma das maiores cagadas de todos os tempos da história das HQ's. Deixe que eu explico: após alguns combates, os tais irmãos cósmicos tentaram se fundir criando um universo só. Dessa forma, alguns heróis de cada editora se misturaram em viraram bizarrices como Super Soldado (Superman +  Capitão América), Garra-das-Trevas (Batman + Wolverine... blurgh!) e, talvez o pior de todos, Spider-Boy (nem preciso dizer, né?). Bom, o caso é que no final todo mundo previsivelmente meio que se alia, salva ambos os universos e seguem suas vidas.
De interessante em tudo isso, no final das edições 1 e 2 foram publicadas as fichas técnicas de cada personagem presente em confronto principal.
Para a parte criativa da minissérie, foram convocados os talentos de alguns dos maiorais de cada editora na década de noventa: os roteiristas Ron Marz e Peter David e os desenhistas Dan Jurgens e Claudio Castellini.

Contudo, mesmo assim, marcou época.

Para o bem e para o mal.

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