quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os 20 Maiores Filmes de Todos os Tempos - 3º The Godfather (1972)

the godfather - part I, de Cris Mitsue

Entre os clássicos, é o maior de todos. Há quem defenda esse "título" para Cidadão Kane ou Casablanca, mas a verdade é que nenhum dos dois tem um personagem tão carismático (para o bem e para o mal) quanto Don Vito Corleone, ou um elenco tão bom. Ou um personagem que sofra uma virada tão grande quanto Michael. Ou uma história tão recheada de traições quanto a saga da família mais famosa da história do cinema.
O Poderoso Chefão, adaptação do livro de Mario Puzo, é um raríssimo caso de filme que tanto é cult quanto é comercial, tanto é superficial quanto é profundo e filosófico. Como na maioria dos casos de adaptações que realmente dão certo, Coppola teve respeito à história original - tanto que contou com a ajuda de Puzo para elaborar o roteiro do longa - e não se precipitou na forma de cortar elementos dispensáveis à mitologia. Para contar a história completa, Coppola utilizou a também ótima sequência lançada dois anos depois.

Dizer que The Godfather conta uma história seria fazer pouco caso do filme. Como afirmei antes, se trata de uma saga, que começa no auge do poder do patriarca da família Corleone, Don Vito, sobre o crime organizado local. Na verdade, os Corleone são apenas uma das Cinco Famílias que comandam o tráfico de bebidas, a prostituição, o jogo - entre outras coisas - na Nova York do final da década de 30. A balança do poder começa a ser desequilibrada quando Don Vito se recusa a financiar um traficante de drogas emergente, que se une a outra família e promove um atentado contra a vida de Corleone. Em retaliação, a Família contra-ataca, promovendo uma grande guerra de gangues. Michael, o filho "bonzinho" de Don Vito, decide entrar no conflito e muda todo o rumo da guerra e do próprio futuro dos Corleone.

Mesmo a produção do filme é uma verdadeira história de gangsteres. Um artigo de 1971 publicado no New York Times dizia que um ator do elenco de apoio ficou tão engajado no papel que se juntou a alguns capangas da Máfia nova iorquina em uma batida contra um grupo rival. Contudo, eles tinham o endereço errado e a ação acabou não acontecendo.
Em meio a isso, o chefão da Mafia Joe Colombo e sua organização tentaram impedir que o filme fosse feito. O produtor-executivo Robert Evans disse, em sua autobiografia, que teve sua família ameaçada por Colombo. A Paramount Pictures recebeu diversas cartas de ítalo-americanos acusando o filme de ser anti-italiano.
O produtor Albert S. Ruddy se encontrou com Colombo, que exigiu que os termos "Máfia" e "Cosa Nostra" não fossem usados no filme. Ruddy deu-lhe o direito de revisar o roteiro e fazer mudanças, assim como a promessa de contratar membros da organização (entenda como gangsteres) para participar como figurantes e assessores. Depois desse acordo, as cartas cessaram. Contudo, ao saber desse "combinado" ao ler o New York Times, o dono da Paramount, Charlie Bluhdorn se sentiu tão ultrajado que demitiu Ruddy e cancelou a produção. Evans, no entanto, convenceu-o de que o acordo seria benéfico para o filme e Ruddy foi, posteriormente, readmitido.
Outra história interessante envolve Gianni Russo, que interpretou Carlo Rizzi. Gianni teria usado seus contatos no crime organizado para assegurar o papel, fazendo com que um dos câmeras filmasse seu teste e o enviasse diretamente aos produtores. Marlon Brando teria ficado enfurecido ao saber disso e teria feito campanha contra a contratação de Russo. O jovem ator ameaçou Brando, que por sua vez, imaginou que Gianni estaria "interpretando". Brando, afinal se convenceu de que Gianni era uma boa escolha para o papel. Russo contou essa história a jornalistas e, em contrapartida, Mario Puzo disse que, se aquilo fosse verdade, então o desconhecido ator poderia ser morto por trazer a história à tona. Curiosamente, um dos atores que fez o teste para o papel de Carlo era um tal de Sylvester Stallone.

O Poderoso Chefão é um oásis para aqueles que curtem boas citações. Muita gente as conhece sem nem mesmo ter visto o filme, fruto das muitas menções a ele em diversos filmes, séries e programas de TV décadas depois. Até mesmo Os Trapalhões já o parodiaram.
A verdade é que, por mais caricato que seja, Don Corleone se tornou um dos mais conhecidos personagens da cultura pop. Obviamente, ele não leva o filme sozinho, sobretudo pelo fato de que sequer é o personagem que mais aparece.
De quebra, a música-tema de Nino Rota - que nada mais é do que uma modificação de seu trabalho em Fortunella - se tornou daquelas poucas que simbolizam todo um gênero, não só o filme a que é atribuída. Caso parecido, por exemplo, com o que aconteceu com a trilha de Ennio Morricone para o filme Três Homens em Conflito (1966).

Nada mais justo do que a presença de O Poderoso Chefão nesta lista. Com um enredo profundo e ao mesmo tempo cativante, ainda está entre os filmes favoritos de muita gente.


The Godfather (1972)
O Poderoso Chefão
Dirigido por Francis Ford Coppola
Escrito por Mario Puzo (livro e roteiro) e Francis Ford Coppola (roteiro)

Marlon Brando
James Caan
Richard S. Castellano
Robert Duvall
Diane Keaton
Talia Shire
John Cazale


Vencedor de 3 Oscars: Ator (Marlon Brando), Roteiro Adaptado e Filme.
Indicado a outros 8 Oscars: Ator Coadjuvante (James Caan, Robert Duvall e Al Pacino), Figurino, Edição, Trilha Sonora, Som e Diretor.
Vencedor de 5 Golden Globes: Roteiro, Trilha Sonora, Ator Filme-Drama (Marlon Brando), Diretor e Filme.
Indicado a outros dois Golden Globes: Ator (Al Pacino) e Ator Coadjuvante (James Caan).
Vencedor do BAFTA de Música.
Indicado a outros 4 BAFTA's: Ator (Marlo Brando), Figurino, Ator Coadjuvante (Robert Duvall) e Ator Revelação (Al Pacino).

Data de estréia nos Estados Unidos: 24 de março de 1972


The Godfather (1972) - fan-trailer (You Tube)



Trailer 02





Trailer 03




Fotos






4 comentários:

Cris Mitsue disse...

É sempre muito bom de ver :] Esse não podia tá de fora..

Augusto Fernandes Sales disse...

Presença obrigatória em qualquer lista do tipo.

Lidia Sales disse...

E viva "Francis Ford Coppola", e viva "Marlon Brando", e viva "Al Pacino", e viva o "blogueiro" que me emprestou a trilogia!

Augusto Fernandes Sales disse...

Acho que conheço esse "blogueiro" aí.