quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os 20 Maiores Filmes de Todos os Tempos - 12º Pulp Fiction (1994)

 - Hmmmm! Caramba, Jimmie! Isso é coisa gourmet! Normalmente Vincent e eu ficaríamos satisfeitos com um café instantâneo, mas você vem com essa coisa GOURMET! Que sabor é?
 - Pare com isso, Julie!
 - O quê?
 - Eu não preciso que você me diga o quanto meu café é bom, tá bom? Sou eu quem compra, eu sei o quanto é bom. Quando Bonnie vai às compras, ela compra porcaria. Eu compro do mais caro porque gosto de saboreá-lo. Mas sabe no que estou pensando agora? Não é no café na minha cozinha, é sobre o negro morto na minha garagem.
 - Oh, Jimmie, não se preocupe com isso...
 - Não, não, não, não! Me deixa te perguntar uma coisa. Quando chegou aqui, você viu alguma placa em frente a minha casa dizendo "Depósito de Negros Mortos"?
 - Jimmie, você sabe que não...
 - VOCÊ VIU UMA PLACA EM FRENTE À MINHA CASA DIZENDO DEPÓSITO DE NEGROS MORTOS?!
 - Não. Não vi.
 - E você sabe POR QUE não viu isso?
- Por quê?
- Porque não está lá, PORQUE GUARDAR NEGROS MORTOS NÃO É O MEU NEGÓCIO, É POR ISSO!!!


Em 1992, o diretor de cinema novato Quentin Tarantino surpreendeu a todos com seu filme de estréia, o gângster nerd Cães de Aluguel. Diálogos deliciosamente irrelevantes, cronologia não-linear, trilha sonora cool-sem-ser-fresca, situações ao mesmo tempo bizaras, inusitadas e TOTALMENTE POSSÍVEIS. Falando metaforicamente, Reservoir Dogs foi uma espécie de cartão de visita onde se dizia OLÁ! MEU NOME É QUENTIN TARANTINO, ESSE É MEU ESTILO E CLICHÊS NÃO FAZEM PARTE DELE, A MENOS QUE EU QUEIRA.
Bem, dois anos depois, já razoavelmente conhecido, Tarantino conseguiu o que faltava: 8 milhões de dólares de orçamento, dinheiro que foi muito bem gasto com sua obra-prima: Pulp Fiction, desnecessariamente batizado por aqui como Tempos de Violência. Dessa grana, 5 milhões foram gastos com o pagamento de salários do elenco estelar. O resultado disso, somado ao roteiro (desculpe) completamente porraloca de Tarantino e Roger Avary, rendeu ao longa 7 indicações ao prêmio da Academia. Nada mau para um segundo trabalho de direção.
Uma das muitas marcas registradas de Tarantino é a trilha sonora dos filmes que dirige. Com claras referências ao que o diretor gostava quando mais jovem, todas elas são memoráveis. Pulp Fiction não fica atrás e é um dos melhores de sua carreira também nesse aspecto, com canções de Chuck Berry, Al Green, Dusty Springfield além, é claro, de Misirlou, que se tornou praticamente o tema principal de filme.

JUST BECAUSE YOU ARE A CHARACTER DOESN'T MEAN YOU HAVE CHARACTER 

Quatro contos ambientados no submundo de Los Angeles, com relação entre si. Basicamente, essa é a premissa principal, mas o que acontece nesses contos é o que realmente torna Pulp Fiction único. Uma frase resume bem toda a essência do que acontece em grande parte desses contos: espere pelo inesperado.

Em Vince and Jules, dois capangas de um mafioso chamado Marcellus Wallace têm um acerto de contas para fazer com um grupo de ladrõezinhos que tentaram passar a perna no chefe. Postei um desfecho desse conto no post Hambúrgueres e Leões-de-Chácara.

No prólogo de Vincent Vega e A Esposa de Marcellus Wallace, o boxeador veterano Butch recebe dinheiro de Wallace para perder uma luta. Depois, Vincent é incumbido de levar Mia para sair enquanto o chefe viaja a negócios. Um concurso de twist, uma overdose por heroína e um milk-shake de cinco dólares são apenas pequenas amostras do que acontece.

Em O Relógio de Ouro, Butch e Fabienne planejam fugir com uma fortuna depois de dar um golpe na máfia. Mas, no dia mais estranho de sua vida - envolvendo colheres, atropelamentos, uma espada samurai e métodos medievais - Butch tem seu definitivo encontro com Marcellus.

A Situação Bonnie é o último conto do filme e, além de explicar elementos dos outros três, apresenta um dos mais carismáticos personagens do filme, o "resolve-problemas" Winston Wolf.

Pulp Fiction tornou-se, talvez superando as expectativas do próprio Tarantino, um clássico cult, embora não pareça ter sido essa a intenção do diretor. É uma prova de que, às vezes, as coisas saem melhor quando fazemos do nosso jeito.



Pulp Fiction (1994)
Dirigido por Quentin Tarantino
Escrito por Quentin Tarantino e Roger Avary

John Travolta
Samuel L. Jackson
Tim Roth
Amanda Plummer
Eric Stoltz
Bruce Willis
Ving Rhames
Phil LaMarr
Maria de Medeiros
Rosanna Arquette
Peter Greene
Uma Thurman
Christopher Walken
Quentin Tarantino
Harvey Keitel

Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original
Indicado a outros 6 Oscars: ator (John Travolta), ator coadjuvante (Samuel L. Jackson), atriz coadjuvante (Uma Thurman), edição, diretor e filme
Vencedor do Golden Globe de Melhor Roteiro-Filme
Indicado a outros 5 Golden Globes: atriz coadjuvante-filme-drama (Uma Thurman), ator coadjuvante-filme-drama (Samuel L. Jackson), ator-filme-drama (John Travolta), diretor-filme-drama e filme-drama.
Vencedos de 2 BAFTA's: Roteiro Original e Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson)
Indicado a outros 7 BAFTA's: ator (John Travolta), atriz (Uma Thurman), fotografia, edição, som, direção e filme.

Data de estréia no Brasil: 18 de fevereiro de 1995


Pulp Fiction (1994) - trailer




Fotos







3 comentários:

Cris Mitsue disse...

como tu disse no post do kill bill, o conto do relógio de ouro do butch é uma das melhores partes de pulp ahahahahhah

ficou ótimoo!

Augusto Fernandes Sales disse...

"Au revoir, Esmarelda Villa-Lobos"

"Buenas noches... Butch!"

Lidia Sales disse...

Confesso que esse filme não conseguiu me fascinar, fui assistí-lo na época devido aos comentários da crítica elogiando o Travolta.
Até então, só sabiam falar mal dele, dizendo que era apenas o ator dançarino de "Embalos de sábado à noite" e "Grease". Injustiça!