sábado, 15 de dezembro de 2012

Os 20 Maiores Filmes de Todos os Tempos - 15º Kill Bill - Vol. 1 (2003)

 - Aquela mulher merece sua vingança. E nós merecemos morrer.



Quentin Tarantino é O cara. Para explicar os motivos de Kill Bill - Volume 1 estar presente nessa lista, primeiro é necessário falar um pouco do estilo peculiar do diretor. Seu primeiro longa-metragem, Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) foi um grande sucesso de crítica e serviu como uma amostra do que Tarantino era capaz. Já desde esse filme, seu jeito de fazer cinema ficou bem definido e muitos dos recursos usados já nessa época continuam sendo marca registrada do diretor até hoje.
Dois anos depois, Tarantino já estava entre os melhores do mundo depois de lançar seu nerdíssimo Pulp Fiction (1994). Além de render-lhe o Oscar de Melhor Roteiro Original e a primeira indicação para Melhor Diretor, o filme estrelado por John Travolta e Samuel L. Jackson ainda concorreu a melhor filme do ano. Foi exatamente durante as filmagens de Pulp Fiction que as sementes para a saga d'A Noiva em busca de vingança foram plantadas. Durante conversa informal com Uma Thurman - uma das atrizes principais de Pulp Fiction - ambos falavm sobre filmes futuros que ainda gostariam de fazer. Enquanto Tarantino afirmou desejar dirigir um filme no estilo "kung-fu da década de 70", Uma descreveu a cena que viria a ser uma das principais de Kill Bill: uma garota vestida de noiva levando uma surra. Embora nenhum dos dois tivesse certeza disso, A Noiva estava sendo gerada a partir dali.
O roteiro levou seis anos para ser concluído - ficou extenso o suficiente para serem feitos dois filmes, ou, se preferir, um filme dividido em duas partes - e Tarantino deu o papel à Uma Thurman de presente pelo seu 30º aniversário.
Enfim, uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido ao diretor - óbvio - foi ter sido elogiado já no seu primeiro trabalho. Isso fez com que ele tenha continuado a usar seu estilo próprio em toda a sua carreira a partir de então. A maneira particular de Tarantino de escrever e dirigir seus filmes pode ser resumida da seguinte maneira: faça como quiser. Além disso, um dos fatos que fizeram com que o Tarantino de 1992 se tornasse gradativamente o Tarantino de 2012 é o seguinte: em sua juventude, a cultura pop cumpriu bem o seu papel em sua vida, isso é, divertir. Tanto que tudo quanto é obra, ator, diretor e estilo que o sujeito cultuou na adolescência foi homenageado em algum filme seu. Somado a esses fatores, a imaginação do cara simplesmente não tem limites. Ele foge dos padrões hollywoodianos e põe nos seus longa-metragens situações que são hilárias de tão bizarras. Em toda a sua filmografia há várias cenas que sintetizam essa situação, sendo que duas das minhas favoritas estão em Pulp Fiction: o conto do relógio de ouro de Butch e a cena em que o gangster Marcellus Wallace se vê em apuros.

Para uma pessoa que gosta do que faz, deve ser uma delícia para Quentin Tarantino ser ele mesmo (!!!).

(acho que esse é o objetivo na vida de cada um de nós, embora nem sempe tenhamos consciência disso).

Ele escreve seus roteiros da maneira que quer, livre, sem pressões de estúdios ou produtoras, se medo de parecer polêmico. O que é pior, suas histórias são realmente boas da maneira que são. E é exatamente por isso que, se você vai assistir um filme dele pela primeira vez, vá desarmado, sem esperar ver uma obra séria demais como A Lista de Schindler ou óbvia demais como As Duas Faces da Lei. Como disse antes, as histórias contadas por Tarantino são recheadas de situações absurdas mas totalmente possíveis. Espera pelo inesperado.

Agora que já comentei sobre o diretor, vamos ao primeiro volume de Kill Bill - que não é o melhor filme dele, o mais inteligente e sequer foi indicado a Oscar, mas que é meu favorito. Nada de uma história cerebral ou inteligente demais, apenas uma saga de vingança. Simples e, mesmo assim, genial pela sua pureza.

HERE COMES THE BRIDE

A Noiva, uma ex-assassina profissional, passou quatro anos em coma depois de receber uma bala na cabeça de seu chefe. Ao acordar, foge do hospital e decide ir atrás dos responsáveis por quase tê-la matado - e a seu bebê, já que estava grávida quando foi ferida. Os que estão em sua lista são apenas cinco, entre eles quatro ex-colegas e Bill, seu mentor.
Contudo, não espere por cenas como as de filmecos de ação de Jason Statham ou Seven Seagal. Cada batalha entre A Noiva e seus oponentes é uma coisa à parte - destaco seu confronto com Oren Ishii e seus capangas, The Crazy 88's. Embora Tarantino tenha bebido da fonte dos filmes e seriados de kung-fu da década de setenta, além, é claro, do estilo dos spaghetti western sempre presente nas suas histórias, Kill Bill tem identidade própria.
Outro aspecto que sempre é algo único nos filmes dele é a trilha sonora. Provavelmente, as músicas que dão mais vida a suas cenas são a melhor forma de resumir o quanto o diretor é original e único. No caso de Kill Bill, além de músicas de clássicos faroestes italianos, estão presentes algumas músicas orientais que dão ainda mais o aspecto de "um filme de samurais" à saga d'A Noiva.


Kill Bill: Vol. 1 (2003)
Dirigido por Quentin Tarantino
Escrito por Quentin Tarantino (roteiro e co-criação da personagem A Noiva) e Uma Thurman (co-criação da personagem A Noiva)

Uma Thurman
Lucy Liu
Vivica A. Fox
Daryl Hannah
David Carradine
Michael Madsen
Julie Dreyfus
Chiaki Kuriyama
Sonny Chiba
Chia Hui Liu
Michael Parks

Indicado ao Globo de Ouro - Atriz em Filme - Drama (Uma Thurman)
Indicado a 5 BAFTA's : música, efeitos especiais, edição, som e atriz (Uma Thurman)

Data de estréia no Brasil: 23 de abril de 2004


Kill Bill:  Vol. 1 (2003) - trailer




Fotos







4 comentários:

Cris Mitsue disse...

Um ÓTIMO filme! Um dos meus favoritos de Tarantino.. e a trilha! Que trilha!

Augusto Fernandes Sales disse...

... e esse me fez querer ser, também, diretor. O Tarantino é muito abusado, faz as coisas do jeito dele (ótimo!)

Lidia Sales disse...

Também gostei, aliás, adorei, o volume 2 também!
Acho que existe o 3, não tenho certeza. Apreciei muito a atuação bacana da Uma Thurman.

Augusto Fernandes Sales disse...

Cogitaram fazer o três, mas não vão fazer mais. Ainda bem!