sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os 20 Maiores Filmes de Todos os Tempos - 19º Schindler's List (1993)

 - Stern, se esta fábrica chegar a produzir um cartucho que possa ser disparado, eu ficarei um tanto infeliz.



A Lista de Schindler (Schindler's List, 1993) é presença obrigatória em qualquer ranking de melhor isso ou melhor aquilo no que se refere a cinema. Não apenas por ser, de fato, um filme top em excelência em todos os sentidos, mas também pela própria história real do protagonista, pelo cuidado com que Steven Spielberg tomou ao fazê-lo, por fatos dramáticos relacionados à produção e, sobretudo pela seriedade e responsabilidade dos envolvidos no projeto. A história de Oskar Schindler e as pouco mais de 1100 pessoas que salvou dos horrores do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial não é exatamente um conto de fadas. Portanto, não poderia ser contada de qualquer jeito, nem por qualquer um.
O escritor Thomas Keneally voltava para a Austrália depois de um tempo concedendo autógrafos quando parou no caminho para o Aeroporto para comprar uma pasta nova em uma loja em Beverly Hills. O proprietário do lugar, o polonês Leopold Pferfferberg convenceu o australiano a ir até uma sala dos fundos e mostrou-lhe documentos antigos que mantinha relacionados à Segunda Guerra. Keneally ouviu o que o dono da loja lhe contou. Leopold era o nome número 173 em um papel datilografado décadas antes.

Em 1982, A Lista de Schindler foi publicado.

Alguns diretores foram cotados para assumir o filme desde que os direitos foram comprados. No entanto, Steven Spielberg - co-produtor - temia que a história fosse contada sem alguma justiça aos acontecimentos originais. Martin Scorsese não aceitou o trabalho e disse que achava que o projeto ficaria melhor sob a tutela de um diretor judeu. Roman Polanski sentia que o tema lhe atingia de forma muito pessoal, já que ele próprio era um sobrevivente do Holocausto - posteriormente Polanski dirigiu um filme sobre o assunto, O Pianista. No final das contas, Steven Spielberg decidiu dirigir. Começou o trabalho ainda no período de pós-produção de seu blockbuster Jurassic Park (1993).


AQUELE QUE SALVA UMA VIDA, SALVA O MUNDO INTEIRO

Ao acompanhar os acontecimentos envolvendo a chegada de Oskar Schindler à Polônia nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, não se cria muita simpatia pelo sujeito. É verdade que possui certo carisma que cativa todos ao redor, mas o fato de que faz parte do partido nazista transforma qualquer respeito que se possa ter por ele em medo. O caso é que Schindler viajou à Polônia com o único propósito de enriquecer.
Aos poucos, vai ficando bem claro que, apesar da posição política de Oskar, ele não se importa muito em negociar com judeus no mercado negro em troca de objetos, além de contratar um dos membros do Conselho como seu contador. A idéia é criar uma fábrica de esmaltados tendo como mão de obra apenas judeus - simplesmente porque são mais baratos. No entanto, até mesmo as 12 horas diárias de trabalho em uma fábrica são melhores do que os campos de concentração e, aos poucos, a fábrica de Schindler se torna quase um refúgio, fruto dos esforços de seu contador em levar cada vez mais empregados para lá.
Como toda boa história real - e A Lista de Schindler é uma história real, embora esteja longe de ser totalmente boa - o personagem principal tem um antagonista à altura: Amon Goeth é um dos personagens relacionados à II Guerra Mundial mais cruéis que existiram. É a síntese não apenas do ódio e da intolerância, mas também de um comportamento que beira a loucura. Ironicamente, Goeth e Schindler eram amigos.
Depois da violenta e doentia retirada dos moradores do Gueto de Cracóvia, Schindler perdeu seus empregados para o campo de Goeth. Contudo, ao presenciar a ação dos alemães durante a queda do gueto, a prioridade do empresário passa a ser outra: salvar a vida do máximo de pessoas que puder usando sua astúcia como homem de negócios. Mesmo que isso lhe custe a fortuna.

Tudo o que escrevi acima é totalmente superficial no que se refere a A Lista de Schindler. Tanto o filme quanto, principalmente, a história original. O filme, pelo o qual Steven Spielberg gostaria de ser mais lembrado, muda a perspectiva de todos que o vêem com relação à sua própria humanidade. Sem exceções.


Schindler's List (1993)
A Lista de Schindler
Dirigido por Steven Spielberg
Escrito por Thomas Keneally (livro) e Steven Zaillian (roteiro)

Liam Neeson
Ben Kingsley
Ralph Fiennes
Caroline Goodall
Jonathan Sagall
Embeth Davidtz

Vencedor de 7 Oscars: Direção de Arte, Fotografia, Edição, Trilha Sonora, Roteiro Adaptado, Diretor e Filme.
Indicado a outros 5 Oscars: Ator (Liam Neeson), Ator Coadjuvante (Ralph Fiennes), Figurino, Maquiagem e Som.
Vencedor de 3 Golden Globes: Diretor, roteiro e filme-drama.
Indicado a outros 3 Golden Globes: trilha sonora, ator em filme-drama (Liam Neeson) e ator coadjuvante em filme-drama (Ralph Fiennes)
Vencedor de 7 BAFTA's: ator coadjuvante (Ralph Fiennes), fotografia, edição, trilha sonora, roteiro adaptado, diretor e filme.
Indicado a outros 6 BAFTA's: som, design de produção, maquiagem, figurino, ator (Liam Neeson) e ator coadjuvante (Ben Kingsley).

Data de estréia no Brasil: 31 de dezembro de 1993


Schindler's List - trailer 01




Schindler's List - trailer 02



Schindler's List - Trilha sonora de John Williams





Fotos





2 comentários:

Lidia Sales disse...

"A Lista de Schindler", foi o 1º. filme que me causou verdadeira emoção, bem semelhante ao que sentí quando ví "O Pianista", que trata do mesmo tema.
Novamente o Diretor Spielberg (de A lista), está na disputa do Oscar, por "Lincol", e tem a minha torcida.

Augusto Fernandes Sales disse...

Filmaço-aço-aço!!!!