terça-feira, 12 de julho de 2011

O melhor faroeste de todos os tempos...

... ou, pelo menos, um dos melhores. Quando paro pra pensar se Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly, no original) é meu western favorito, me dá dor no coração não eleger Os Imperdoáveis (1992). Na dúvida, fico com os dois. A única certeza que tenho quanto a isso é que AMBOS são melhores do que Era Uma Vez no Oeste (1968) e Sete Homens e Um Destino (1960).
Três Homens em Conflito (1966) é o terceiro filme da chamada "trilogia dos dólares", do diretor Sergio Leone, iniciada com Por um Punhado de Dólares (1964), seguido de Por Uns Dólares a Mais (1965). Os três filmes são estrelados por Clint Eastwood e seu personagem d'O Homem Sem Nome. Contudo, o segundo filme é co-estrelado por Lee Van Cleef e o terceiro, além de Eastwood e Van Cleef, também conta com Eli Wallach.
A história de Três Homens em Conflito se passa em um velho oeste americano com a Guerra Civil como pano de fundo. Mas não se engane. O filme de Sergio Leone não é um filme de guerra qualquer.
O Bom...
O "bom" do título do filme é o Homem Sem Nome (Eastwood), um forasteiro (em qualquer lugar ele parece ser apenas isso) do qual ninguém parece saber muito do passado. Tudo o que sabem sobre ele é que é bom de tiro e talvez isso seja mais do que o suficiente. Seu papel nos dois primeiros filmes parece ser o mesmo, embora não seja comprovado que se trata do mesmo personagem. A única pista de que se trata da mesma pessoa é o "poncho" que o personagem usa, que é o mesmo nos três filmes (aquele pano com cara de tapete que deixa ele, desculpem, fodão)
O "mau" em questão é o personagem de Lee Van Cleef, Angel Eyes/Sentenza, caçador de recompensas que sempre faz seu trabalho, desde que seja devidamente pago. Posteriormente, aparece como um sargento no exército da União, mas apenas por um breve período no filme.
..., o Mau...
Já o "feio" se trata do personagem mais divertido do filme. Tuco (Eli Wallach, o vilão de Sete Homens e Um Destino) é o contraponto aos personagens sérios de Eastwood e Lee Van Cleef. Apesar de ser um fora-da-lei procurado em vários estados por todos os tipos de delito que são possíveis serem cometidos por um ser humano, o jeitão meio atrapalhado de Tuco deixa o filme um pouco mais leve. Mas não se engane. Tuco é tão perigoso quanto os outros dois.
O prólogo do filme mostra três caçadores de recompensa entrando em um saloon em algum vilarejo desolado atrás de Tuco, que despacha os três para o inferno antes de fugir a cavalo.
No prólogo de Angel Eyes, o mercenário vai a um sitio isolado atrás de informação. Antes que comece a interrogar o proprietário, este lhe diz que não tem nenhuma informação do ouro desaparecido, que o último que conhece o paradeiro do dinheiro é Jackson, agora disfarçado de Bill Carson. Angel Eyes revela que só está ali para descobrir o nome sob o qual Jackson estava se escondendo e que a informação de um tesouro escondido lhe é nova. Assim que mata o homem (e quase toda a sua família), Angel Eyes vai ao seu empregador entregar a informação sobre o nome (não sobre o ouro). A partir daí, Angel Eyes decide procurar Carson por conta própria.
... e o Feio.
Tuco é brevemente capturado por três pistoleiros, mas é salvo pelo Homem Sem Nome em seguida (aliás, mencionei essa cena em um dos primeiros posts desse blog, na terceira parte da série sobre cenas memoráveis). Contudo, Blondie (como Tuco chama o forasteiro) se alia ao "Feio" para aplicar pequenos golpes nos lugares onde Tuco é procurado. A parceria dura algum tempo, antes que o ego dos dois entrem em conflito e o Homem Sem Nome abandone Tuco à própria sorte em um deserto. Tuco jura vingança.
Quando ambos voltam a se encontrar, as circunstâncias fazem com que cruzem o caminho de uma "carroça fantasma". No veículo, um moribundo Bill Carson diz a Tuco que, se ajudá-lo pode ficar com os duzentos mil dólares enterrados em um túmulo no cemitério de Sad Hill. Tuco sai para buscar água para Carson, mas quando volta o sujeito está morto... Contudo, antes de morrer, Bill Carson sussurrou no ouvido de Blondie o nome que consta no túmulo em que está o dinheiro. Agora, enquanto Tuco sabe em que cemitério está o ouro, Blondie sabe o túmulo exato. Embora um não confie no outro, os dois pistoleiros se vêem obrigados a juntar forças. Contudo, as coisas saem do controle quando, disfarçados de soldados da Confederação, são capturados pelo exército inimigo, que tem um certo Angel Eyes em suas tropas... e que estaria bem interessado na informação de que a dupla teve um encontro com Bill Carson em pessoa.
O filme narra basicamente, a jornada dos três homens em busca do ouro enterrado. Alianças são feitas, bem como traições, além, é claro, das clássicas cenas de tiroteio. O duelo final, diferente de todos os outros do gênero, é antológico, memorável... clássico.
A trilha sonora dos três filmes da trilogia é assinada, é claro, por Ennio Morricone. Assim como o filme em si, a música de Três Homens em Conflito é a mais conhecida dos três.
Um dos diferenciais desse filme em relação a todos os (muitos) spaghetti western lançados no período são as atuaçõesWayne nem metade do carisma do personagem d'O Homem Sem Nome de Eastwood. O Tuco de Eli Wallach também é um caso à parte. Não chega a ser um vilão, mas um daqueles personagens canalhas que nós simplesmente adoramos, como o Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios, por exemplo. E Lee Van Cleef também encarna muito bem  papel de "mau", principalmente depois de interpretar um personagem bonzinho no segundo filme da trilogia. Aliás, diz a lenda que Sergio Leone pretendia usar Charles Bronson  no papel de Angel Eyes, justamente por temer que o público não fosse aceitar a mudança de papel drástica de Lee Van Cleef de um filme para o outro. Possivelmente, Bronson teria feito um trabalho tão bom quanto Van Cleef.
A comparação com Os Imperdoáveis é uma bobagem sem tamanho da minha parte. Cada um dos filmes tem seu próprio estilo, mas a mesma grandeza. Clint Eastwood, ao dirigir Os Imperdoáveis, dedicou o filme a Sergio Leone, um de seus "mentores" no que diz respeito a direção. Enquanto Três Homens em Conflito tem aquele ar mais clássico, além de pegada de superprodução, Os Imperdoáveis é um filme mais profundo, que beira a poesia.
Para se ter uma idéia da importância desse filme e de que o título do post NÃO é exagero, Três Homens em Conflito está na quarta posição na lista do site The Internet Movie DataBase dos 250 melhores filmes de todos os tempos. Embora tenha algumas coisas nessa lista que eu NÃO concorde, costumo levá-la em consideração, já que o cálculo é feito baseado na média das notas dadas pelos internautas (e não por críticos cretinos).
Clássico total. Um dos bons. Dos maus. E dos feios.






Três Homens em Conflito - The good, the bad and the ugly (1966) - trailer
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