terça-feira, 5 de julho de 2011

No dia do Morto-Vivo, A Noite dos Mortos-Vivos

Já que meu dia hoje está sendo como um zumbi (garganta inflamada, pulmões chiando feito uma TV velha e tudo o mais presente no pacote), nada mais adequado do que fazer um breve post sobre o clássico do terror, A Noite dos Mortos-Vivos (1968), do diretor George A. Romero (de Instinto Fatal). Esse filme é o mais famoso do "gênero zumbis", já que provavelmente foi o que deu origem a tudo o que seria feito posteriormente. Vários profissionais do cinema (Quentin Tarantino, por exemplo) são fãs das obras de Romero.
Pessoalmente,não creio que seja meu gênero de filmes de terror favorito. Mortos que voltam não me assustam tanto (na verdade, sequer fazem muito sentido pra mim, já que se trata de carne morta) quanto, digamos, portas que se fecham aparentemente sozinhas (Atividade Paranormal) ou esculturas de vodu penduradas em árvores (A Bruxa de Blair). Mesmo assim, há alguns aspectos nessa obra original de Romero que a diferenciam de tudo o que eu vi feito nos anos seguintes. Mas vamos falar primeiro do roteiro do filme.
O primeiro morto-vivo de Romero
A noite dos Mortos Vivos começa com os irmãos Barbara e Johnny indo visitar o túmulo do pai em um cemitério bem longe de casa. Enquanto estão lá, são atacados por um homem de terno e extremamente pálido, que age como se fosse algo irracional. Barbara consegue fugir, mas Johnny perde a consciência ao bater com a cabeça em uma lápide. Ao chegar no carro, a garota percebe que as chaves ficaram com o irmão e é obrigada a fugir a pé. Pouco depois, ainda com a figura misteriosa em seu encalço, Barbara chega a uma casa depois de uma colina. Consegue se trancar durante um tempo, antes de descobrir que a provável dona da casa agora é um cadáver no andar de cima.
A garota começa a dar sinais de descontrole, quando Ben, outro fugitivo "deles", consegue entrar na casa. Casa, aliás, que está mais habitada do que eles imaginam. Do porão, aparecem dois casais e uma criança, que estavam ali há mais tempo, escondidos. A criança está ferida depois de levar uma mordida em um ataque dos assassinos em massa (como a TV chama os zumbis, em um primeiro momento).
Pelo rádio, os agora sete ouvem as notícias. Uma estranha série de assassinatos estão acontecendo e as testemunhas sobreviventes descrevem os criminosos como se estivessem "em transe". Depois de algumas horas, um boletim no rádio traz a notícia de que pessoas mortas recentemente estão voltando à vida e atacando as pessoas. Um novo boletim  informa que os assassinos estão comendo a carne de suas vítimas depois de matá-las.
Uma das explicações dadas pelo governo americano para o fenômeno é a emissão de radiação provocada pela explosão de um satélite vindo de Vênus.
O filme mostra basicamente isso, os residentes daquela casa tentando fugir e, ao mesmo tempo se proteger. Também há o aspecto humano, quando Ben e Harry (o pai da garotinha ferida) discutem constantemente.
Agora, falando dos aspectos interessantes que mencionei acima, que fazem esse filme diferente dos posteriores, o primeiro que reparei foi essa questão de APENAS mortos RECENTES virarem zumbis. Então, não há aquelas cenas (cá pra nós) cômicas de defuntos saindo de suas sepulturas ("Pra agarrar o pé da gente", Chaves diria), como em Thriller. Outra coisa é a expressão nos mortos de Romero, sobretudo nas cenas em que devoram os cadáveres de duas pessoas da casa (você não acha que vou dizer quais, não é? Assim como não achava que todo mundo se safava no final... ou achava?). Não são exagerados como os dos filmes recentes feitos do gênero (embora eu tenha gostado de um ou outro, como o primeiro [REC], por exemplo).
Há também a cena em que a garotinha vira zumbi e devora pedaços do pai morto (desculpe, eu não resisti). Queria ver a reação das pessoas no final dos anos sessenta a essa cena. Hoje em dia, tudo bem, há muitas cenas mais fortes nos filmes atuais, mas naquela época? Deve ter sido, no mínimo, interessante. Aliás, falando na garotinha, já reparou em como crianças nos filmes de terror são assustadoras? Tem a desse filme, tem a Regan de O Exorcista, tem a menininha (com uma rápida participação) em [REC]. Acho que isso dá um bom assunto para um futuro post. Vou pensar nisso.
Enfim, estou tão detonado que nem vou me estender muito nesse post. Sequer vou entrar em mais detalhes do filme, como o elenco horroroso, por exemplo. A conclusão que fica é que para os padrões atuais, A Noite dos Mortos-Vivos parece bem inocente. Mas é um clássico que deu origem a toda uma temática, afinal das contas.

[ainda que meu post não tenha se baseado nisso e sim na situação infernal que a minha saúde está hoje (mas sinto que estou melhorando), o blog Alcofa MilleniuM, que foi o que inspirou a criação deste aqui, publicou um post sobre o assunto "mortos-vivos", chamado de Cool. Vale  pena dar uma conferida]

A Noite dos Mortos-Vivos (1968) - trailer da versão em cores
video

2 comentários:

Alcofa disse...

pow cara, interessante tuas observações, principalmente sobre a participação no REC (eu ñ sabia!!!). Se tu gosta de zombies, aconselho ver tbm Diarie of the Dead, um filme que é um mix de documentário com filme...idéia MUITO legal! Vale a conferida! G

Abraço!

Augusto Fernandes Sales disse...

Esse é do Romero também, não? Nunca assisti, mas já ouvi falar a respeito...