segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tarantino demais!

Já disse algumas vezes aqui que um dos meus diretores de cinema favoritos é Quentin Tarantino. Gosto do trabalho do cara por vários motivos, entre eles o fato de ter (aparentemente) um estilo bem peculiar, dele fazer referências descaradamente a outras mídias e sua imprevisibilidade no roteiro. Entretanto, tudo tem limite. Ontem, vi seu Death Proof (À Prova de Morte, no Brasil) e tive a impressão de que esse filme em particular tem uma pitada excessiva justamente dessas tarantinadas que deixam seus trabalhos tão únicos.
Kurt Russell, como Stuntman Mike
A começar pelo roteiro. Com exceção de Kill Bill, as histórias de Tarantino geralmente são pequenos amarrados de vários contos interligados entre si, nos quais os personagens envolvidos não devem necessariamente se relacionar. Pulp Fiction é assim, Cães de Aluguel é assim e Bastardos Inglórios é assim. Muito bem. À Prova de Morte TAMBÉM é assim. Entretanto, a trama principal, apesar de não ser nada clichê e ser bastante nerd (outras duas características do diretor) é, talvez, a mais fraquinha de todas. O maníaco Stuntman Mike se diverte usando seu carro "à prova de morte" para atormentar garotas que cruzam seu caminho. Certo, o filme não se prende unicamente a isso, é claro. Há várias referências ao estilo "anos 70" de fazer filmes, mas até aí, não há novidade nenhuma, já que se trata de um trabalho do diretor.
O que quase estraga À Prova de Morte, na verdade, é o excesso de diálogos "sem importância". Em Pulp Fiction e em Cães de Aluguel, eles existem na medida certa. Até mesmo em Bastardos Inglórios há cenas desse tipo. Em Death Proof, entretanto, em certos momentos os diálogos excessivos tornam o filme meio, sei lá... modorrento (!!!). O próprio final peca por ser, talvez, superficial demais, embora case com o restante do longa.
Entretanto, destacam-se em Death Proof a presença feminina (algo cada vez mais constante nos filmes de Tarantino) e a cena da colisão do carro de Stuntman Mike, que encerra o primeiro ato do filme.

4 comentários:

ShounenEvil disse...

Eu sou muito fã do Tarantino, sendo ele o meu diretor preferido, mas esse é um filme mediano. Tipo, ele é divertido, tem diálogos legais, boas cenas de ação, mas sei lá, é muito parado. Tipo, enquanto em Pulp Fiction eu desejava para o filme nunca acabar, nesse eu cheguei a olhar para o relógio algumas vezes. Mas a pior coisa do filme é o feminazismo. Sim, mulheres são fortes, mais nesse filme soou um pouco forçado, diferente de Kill Bill por exemplo. Mas vale pela cena em que o Duble Mike mata as garotas da primeira parte do filme e pela dança sensual no bar. O filme mais fraco do Tarantula.

Augusto Fernandes Sales disse...

Concordo com você. Mesmo o nem tão conhecido Jackie Brown (1997) é melhor do que À Prova de Morte.

ShounenEvil disse...

Eu sinceramente acho Jackie Brown um dos melhores filmes do Tarantino, tanto que no meu top pessoal ele está atrás apenas de Cães de Aluguel e Pulp Fiction(eu vejo neles um trilogia não intencional, tipo "A Trilogia do Crime"). Esses três filmes mostram uma coisa interessante: São um tanto ambiciosos, mas sem escorregar no ego do diretor(algo que aconteceu de modo mais perceptível em Bastardos Inglórios, que apesar de ser um filme ótimo, eu acho que as vezes ele se alonga demais, especialmente na cena do bar). O Tarantula continua um ótimo diretor(mesmo À Prova de Morte sendo seu filme mais fraco, ele é pode ser considerado um entretenimento bem melhor que a maioria dos enlatados de verão americano), só acho que ele devia abaixar um pouco a bola.

Augusto Fernandes Sales disse...

O meu favorito é Kill Bill. Acho Bastardos bem audacioso (o cara teve a pachorra de criar sua própria versão para a morte do Hitler!). Cães é o protótipo pro Pulp, que é genial. Jackie é muito bom. Django achei superestimado.