domingo, 22 de maio de 2011

O terror definitivo

Sempre achei que um bom filme de terror é aquele que causa medo. Simples assim. Quanto mais pavor provocou, mais o filme "mostrou a que veio". Afinal não é essa a idéia por trás da produção de um filme do gênero?
Já havia mencionado essa produção independente em posts anteriores aqui no blog, mas Atividade Paranormal (2007) realmente merece um texto exclusivo nessas páginas. Primeiro, porque é o filme que mais me deu (desculpem) cagaço em toda a minha vida. E segundo porque a opinião das pessoas a respeito dessa produção geralmente é extrema. Ou amam, ou odeiam.
A forma em que Atividade Paranormal foi feito não foi original. Antes dele, A Bruxa de Blair (1999) causou bastante alvoroço quando foi lançado nos cinemas no final da década passada. Quando me refiro à forma em que foi feito, estou falando sobre a aparência caseira da produção, para ressaltar a idéia de realismo. Mas também gosto bastante de A Bruxa de Blair e, possivelmente ele terá também seu próprio post por aqui.
Um dos charmes de Atividade Paranormal é a simplicidade. Todos nós (qual é, admita!), em algum momento da vida, já tivemos medo de alguns cômodos escuros de casa. Barulhos sem motivo no meio da noite. Passos. Portas rangendo. Essas coisas que, na maioria das vezes, provam que a fonte do medo está na nossa própria mente. 
Os protagonistas são um casal de jovens que se mudou há pouco para uma nova casa. Pouco a pouco, a garota Katie (uma gostosíssima Katie Featherston que, ao contrário do que a parte invejosa das mulheres afirma, NÃO é gorda) passa a notar acontecimentos estranhos na casa. O namoradinho da garota, o cético-babaca-insuportável Micah (Micah Sloat) resolve comprar uma câmera e instalá-la no quarto do casal enquanto dormem. O ponto de partida do filme se dá aí.
É preciso recordar que o filme que vemos é uma edição de todas as gravações encontradas na casa após os eventos ocorridos na vigésima primeira noite de filmagem, em 08 de outubro de 2006. 
O filme começa em 18 de setembro, a partir do momento em que Micah mostra a Katie a câmera nova. Ainda nos primeiros minutos, descobrimos o motivo da aquisição: Micah quer descobrir se os fenômenos estranhos relatados pela namorada podem ser provados.
Na primeira noite, Micah se certifica de que todas as portas e janelas estão trancadas, para assegurar que não haja nenhuma interferência externa. Ambos se deitam. Pouco depois das duas da madrugada, enquanto o casal dorme, o equipamento de video registra o som de passos no andar de baixo. Não como se alguém estivesse caminhando, mas sim o som de algo correndo. Em seguida, o som de alguma coisa que parece um molho de chaves caindo no chão. A câmera e o equipamento de som não registram nada pelo resto da noite.
Pela manhã, ao descer para preparar  café, Katie encontra suas chaves caídas no chão da cozinha. O fato parece passar despercebido por Micah.
Naquele mesmo dia, o casal recebe a visita de um psíquico, a contragosto de Micah. O especialista em fenômenos paranormais Dr. Fredrichs diz a Katie que é possível que tudo o que está ocorrendo se trate de coisas comuns em casas: canos que fazem ruídos, tábuas que rangem. A garota conta que fenômenos estranhos ocorrem desde que tinha oito anos. Constantemente, acordava sentindo a respiração de alguém ao lado de sua cama. Quando acordava, via uma figura sombria parada no escuro. Sua irmã mais nova, Kristi, também enxergava o vulto. Pouco depois, houve um incêndio que destruiu a casa e Katie só voltaria a ser assombrada cinco anos mais tarde, aos treze.
Ainda durante a conversa com o Dr. Fredrichs, Katie conta novos detalhes dos fenômenos mais recentes. Torneiras que são encontradas abertas, sons de arranhões pelas paredes... e, às vezes, enquanto dorme, ouve algo sussurrar seu nome em seu ouvido. Micah mantém uma opinião cética durante a conversa.
O psiquico diz que talvez não possa ajudar, pois sua especialidade é lidar com espíritos, ou seja, pessoas mortas. O que parece estar assombrando Katie seria um demônio, uma entidade ligada a algo não-humano. Mesmo assim, o doutor passa-lhes o telefone de um amigo seu, especialista no assunto. Micah ainda sugere o uso de um tabuleiro ouija para tentar se comunicar com o demônio, mas Fredrichs diz que não seria uma boa idéia, pois poderia soar como um convite à entidade para entrar na vida deles.
Ne terceira noite, pouco depois das duas da manhã, a câmera filma a porta do quarto se mover. Primeiro se abre um pouco e segundos depois volta a posição original. Dessa vez, no dia seguinte Micah mostra as imagens a Katie. À noite, Micah vasculha os cantos da porta e parece desafiar: "Isso é tudo que você pode fazer? Mover portas?"
Na quinta noite, depois de Katie acordar de um pesadelo, ambos se assustam com o som de uma pancada vindo do andar de baixo. O casal desce para dar uma olhada e não encontra nada de anormal. Ao voltar para a cama, Micah provoca novamente: "Isso é tudo o que você faz?". No dia seguinte, ao analisar o material gravado na madrugada, Micah ouve o som de uma voz segundos antes de Katie acordar do pesadelo. Ele ainda insiste na compra do tabuleito ouija, mas Katie não o deixa fazer isso. Certa noite, antes de se deitar, Micah "diz" a entidade presente ali: "Mostre o que sabe". E, quando Katie o repreende, ainda responde: "Seu demônio é inútil".
cagaço (droga, aí está essa palavra de novo!) toma conta do expectador. Katie acorda por volta das três da manhã e Micah acorda em seguida. A garota diz ter ouvido algo no andar de baixo e ambos ficam em silêncio, na cama, tentando ouvir alguma coisa. Sem que ninguém espere, um grito vem do andar de baixo, seguido de uma pancada. Entenda bem, não foi exatamente um grito, mas uma coisa animalesca. Assustadora mesmo. Katie começa a chorar, assustada, histérica. Micah desce as escadas seguido pela garota e o casal encontra o lustre da sala balançando de um lado para o outro.
No dia seguinte, sem Katie saber, Micah percorre a casa com um microfone, fazendo algumas perguntas e tentando gravar possíveis respostas. Ao analisar a gravação, descobre que o equipamento de áudio revelou algo, talvez uma voz respondendo as suas perguntas.
Na décima quinta noite, as imagens mostram Katie se levantando depois da uma da manhã. Fica algumas horas em pé, ao lado da cama, olhando Micah dormir, como se estivesse hipnotizada. Depois, desce as escadas. A seguir, vemos Micah acordado com a câmera na mão, procurando por Katie pela casa. Encontra-a na varanda da casa, sentada e um pouco letárgica. Enquanto está com a garota, ouve uma pancada vinda do quarto, no andar de cima. Ao chegar lá, encontra a TV ligada. No dia seguinte, Katie afirma não se lembrar do ocorrido na noite anterior.
Dias depois, Micah finalmente aparece com o tabuleiro ouija para tentar entrar em contato com a entidade. Isso causa uma discussão entre o casal, que sai de casa deixando a câmera ligada na direção do tabuleiro, em cima da mesa da sala. Momentos depois, o ponteiro começa a se mover sozinho e, em seguida, pega fogo. Ao retornar, Micah encontra o tabuleiro com diversas marcas e, depois de ver as imagens, tenta decifrar a suposta mensagem.
Micah tenta um novo truque em 04 de outubro, décima sétima noite. Antes de dormir, espalha talco no corredor que leva ao quarto e nos degraus da escada. Katie diz que, se aquilo não funcionar, irá ligar para o demonologista no dia seguinte. Pouco depois das três da manhã, Micah acorda com sons de passos dentro do quarto. Ao acender a luz, o casal encontra diversas marcas de pegadas perto da porta. Pegadas de pés com três dedos. Pegadas que entram no quarto, mas não saem dele.




Ao sair do quarto para investigar o corredor, Katie descobre a pequena porta do sótão aberta. Micah sobe para tentar encontrar alguma coisa e se depara com uma foto de Katie quando criança, toda queimada. Katie afirma, chocada, não ver aquela foto há mais de quinze anos.
Micah resolve não resistir mais às tentativas de Katie de ligar para o colega do Dr. Fredrich. Infelizmente, o demonologista não é encontrado e Katie pede novamente ajuda a Fredrich, que só pode ir no dia seguinte. E, na décima oitava noite, as coisas ficam piores...
Micah acorda de madrugada e, ao caminhar pelo quarto, a porta bate violentamente, acordando Katie. O casal entra em pânico quando ouvem batidas do lado de fora da porta. Ao sair, a porta fecha novamente deixando os dois presos no corredor. Aquela é a pior noite até então.
Até então.
A garota passa a noite no sofá a sala.
Na tarde do dia seguinte, enquanto almoçam, ouvem uma pancada no andar de cima. Katie encontra a foto do casal pendurada na parede com o vidro quebrado e a imagem do rosto de Micah com marcas de arranhões. Katie sente algo respirar perto dela e corre para o andar de baixo. Horas mais tarde, o Dr. Fredrich chega e logo sente o ambiente sufocante. Afirma que sua presença só está tornando as coisas piores e que, seja lá o que esteja naquela casa, está ficando irritado com a sua presença. Vai embora minutos depois.
 A noite seguinte, décima nona, também é bem agitada. Enquanto o casal dorme, o lençol da cama é movido, uma luz se acende no corredor e uma sombra é captada na porta do quarto. Katie acorda no meio da noite e diz ter sentido a respiração da coisa sobre ela. De manhã, sente que está sendo observada.
Micah começa a pesquisar na internet casos parecidos com o de Katie. Encontra um site dedicado a um caso de uma garota nos anos sessenta que teria apresentado os mesmos "sintomas" de Katie. Diane, a garota em questão, teria piorado quando seus pais procuraram ajuda externa. Os rituais de exorcismos teriam deixado o demônio que assombrava a garota ainda mais furioso.
 O casal decide tentar deixar a coisa sumir por conta própria a arriscar piorar ainda mais a situação.


A situação mais assustadora antes do trágico desfecho do caso de Katie e Micah ocorreu na madrugada de 07 de outubro de 2006, vigésima noite desde que Micah Sloat passou a documentar em video todos os acontecimentos estranhos que aconteciam ali. Segundos depois de algo parecido com uma sombra passar pela porta do quarto, Katie Featherston é arrastada, aos gritos,  por uma força invisível corredor afora. Pouco depois, Micah consegue livrar a garota e trazê-la de volta para o quarto.
Na manhã seguinte, Katie parece letárgica, quase catatônica.  Deitada no sofá, mostra (a pedido de Micah) para a câmera, uma marca de mordida recente nas costas. "A coisa te mordeu", diz Micah. Assustados, ambos decidem passar a próxima noite em um hotel. Pouco depois, Micah encontra Katie sentada no chão, meio sonolenta e com um crucifixo na mão, que sangra. Micah põe fogo na cruz, na lareira da sala..
Depois de arrumar as malas, Micah encontra Katie deitada na cama. A garota diz que não quer ir mais para o hotel, que acha melhor ficar ali. Micah, irritado, sai do quarto e Katie faz um monólogo de uma frase que gela a espinha.
"Tudo vai ficar bem agora."
Há algo de estranho na voz da garota. Uma voz por trás da de Katie. Não é todo mundo que percebe vendo a cena pela primeira vez. Eu mesmo tive que voltar a cena pra me certificar de que tinha ouvido direito.

08 de outubro de 2006, vigésima primeira noite. Na madrugada, Katie se levanta e fica um tempo em pé, ao lado da cama, observando Micah dormir. O lençol é retirado de cima do corpo do rapaz, embora Katie sequer encoste nele. Lentamente, a garota desce as escadas. Momentos depois, a garota grita histericamente e Micah se levanta assustado e sai do quarto correndo, procurando por ela. É a última vez que o vemos com vida.

 O corpo de Micah foi encontrado pela polícia em 11 de outubro de 2006.
 O paradeiro de Katie continua desconhecido.

Apesar de ter sido filmado em 2006, o filme Atividade Paranormal só ficou conhecido mundialmente em 2009. Produção independente de baixo orçamento (por volta de 15 mil dólares), foi filmado em apenas dez dias, na casa do próprio diretor do filme, Oren Peli. No início, era passado apenas em pequenos festivais, mas logo despertou a curiosidade das grandes produtoras. Nas primeiras semanas, era exibido apenas em algumas salas. Depois, se uma cidade queria ter esse filme em cartaz, deveria "solicitar" à Paramount para que isso acontecesse. Pura jogada de marketing, óbvio.
Aliás, tem uma curiosidade envolvendo esse filme quando estreou em Suzano, uma cidade próxima aqui de Itaquá. Em 2009, um dos filmes da série Crepúsculo iria estrear no shopping da cidade. Muita gente foi ver, entre eles uma neta da minha ex-chefe. Acho que a garota devia ter uns dez, onze ou doze anos, no máximo. O problema é que o filme não chegou no dia certo e os responsáveis pelo cinema tiveram a idéia genial de tapar o buraco com o filme Atividade Paranormal. Imagina só, um cinema recheado de pré-adolescentes sedentos de ver os vampiros meio gays de Crepúsculo e se deparando com o capeta sem nome (como diria minha sumida mentora Marcela Godoy) de Atividade Paranormal. Só podia dar m%rd@, né? Pra piorar, na época o filme ainda não era tão conhecido e muita gente saiu do cinema achando que tudo aquilo era uma coisa real. Imagina se a neta da minha ex-chefe não ficou vários dias sem dormir. Acho que até eu teria ficado. Tá lôco, sô!
Quanto ao filme, eu reafirmo que é o meu terror favorito, de longe. Pode ser uma coisa meio nerd eu dizer isso, mas até aí, eu sou mesmo meio nerd. Afinal de contas, Atividade Paranormal foi um filme que me seguiu até depois que terminei de assistir. Deitei na cama e fiquei prestando atenção nos barulhos que a casa fazia. PQP! Quando vi A Bruxa de Blair, no meu último ano de escola, tinha sentido a mesma coisa, mas a diferença é que Atividade Paranormal se passa dentro de casa, no quarto, ou seja, onde estamos em boa parte do tempo. Já A Bruxa de Blair se passa em uma floresta.
Mesmo eu adorando esse filme, ele também tem certas coisas que eu não engoli. O negócio do tabuleiro ouija, por exemplo. Como eu não acredito na maioria dessas coisas de símbolos (Cruz, Estrela-De-Davi, algo do tipo) e, principalmente porque eu acho que se demônios existissem eles não iriam usar o nosso alfabeto, achei a presença do tabuleiro no filme um tanto desnecessária. Além do mais, seria legal se o demônio do filme fosse ainda mais "algo desconhecido", não uma entidade que precisaria daquilo para se comunicar.
Micah também é um caso à parte. Não o ator, que faz um bom trabalho, mas o personagem. O cara é tão chato/mala que até perde um pouco da verossimilhança.
Na verdade, diferente do final visto nos cinemas e no DVD, há um final "original" de Oren Peli. A versão que chegou aos cinemas foi sugestão de Steven Spielberg, para dar gancho para uma sequência. Na versão de Peli, o filme terminaria da seguinte maneira: depois de Micah ouvir os gritos de Katie no andar de baixo e descer para socorrê-la, haveria alguns momentos de silêncio. Depois, a garota subiria as escadas toda suja de sangue e com uma faca na mão e se sentaria na cama durante vários dias, ignorando o telefone e a campainha. Eventulmente, uma amiga de Katie entraria na casa e descobriria o corpo de Micah no andar de baixo. Minutos depois, a polícia iria entrar na casa e, enquanto vasculhavam o andar de baixo, o demônio sairia do corpo da garota. Quando os policiais entrassem no quarto do casal com as armas em punho, Katie "acordaria" gritando "Micah! Micah!" Onde está Micah?". A porta do quarto iria bater de repende fazendo com que os policiais atirassem acidentalmente em Katie. Os últimos sessenta segundos do filme mostrariam os policiais confusos, se perguntando de onde veio aquele barulho e, por fim, declarando a casa "limpa".A tela ficaria preta e um texto apareceria dedicando o filme a Katie e Micah.
No DVD, é possível encontrar ainda um final alternativo, no qual Katie mata Micah e depois se suicida na frente da câmera, cortando a própria garganta. Pessoalmente, eu achei meio forçado demais, fácil demais. Quase infantil. Não teria funcionado.
É interessante saber que, apesar de se tratar de uma obra de ficção, o diretr Oren Peli teve a idéia para o filme baseado em uma experiência pessoal. Quando estava dormindo em certa ocasião, tarde da noite uma caixa de detergente caiu no chão. A caixa estaria longe demais da beirada para ter caído daquela maneira.
Atividade Paranormal é um filme que reafirma que nem sempre são necessários efeitos especiais mirabolantes ou maquiagens super elaboradas para se fazer um bom filme de terror. Às vezes, o medo está dentro de nós.

Como não poderia deixar de ser, em 2010 houve uma sequência. Atividade Paranormal 2 (2010) foi, como era de se esperar, bem inferior ao primeiro filme. Mesmo assim, pra uma sequência tão esperada, não decepcionou por completo. O problema é que ele amarra várias pontas deixadas no primeiro filme que não precisavam necessariamente serem amarradas, assim como explica coisas que não eram necessárias. Se ficou curioso, veja o post que fiz sobre o filme logo quando vi no cinema.
 Aparentemente, o terceiro filme será lançado em 2012. Esse sim, já dá pra afirmar que será um lixo. Em nome da grana, os produtores estão dispostos a estragar de vez a franquia.

Mesmo assim, estou curioso pra ver o terceiro filme. Coisa de nerd.

Atividade Paranormal - Trailer


2 comentários:

ThiaguinhoTop disse...

Pow eu vi esse filme, mas achei que podia ter mais terror.

topaganu.blogspot.com

Augusto Fernandes Sales disse...

É uma questão de pontos de vista. Alguns se impressionam com tripas. Outros, com vampiros.

Eu me impressiono com portas abrindo sozinhas...