domingo, 13 de fevereiro de 2011

A filha da Sra. White

King é bom desde o início.
Uma das primeiras coisas que assustam em Carrie, a Estranha, primeiro livro de Stephen King, não é a história em si, mas a introdução feita pelo autor. Nela, King diz que logo que começou a escrever o livro, foi "assombrado" por duas personagens do mundo real, da época de escola do escritor. Nenhuma das duas chegou aos trinta anos.
Carrie White, dezesseis anos, é uma daquelas estudantes consideradas o patinho feio da turma. Suas colegas de escola zombam constantemente dela, lhe atiram coisas, esticam a perna para que ela tropece. Toda turma tem um desses "excluídos" (ou pelo menos, toda turma estudantil retratada nos livros e filmes americanos), mas Carrie tem alguma coisa a mais dentro dela: o dom da telecinesia, a capacidade de mover objetos apenas com a força da mente. O poder de Carrie é considerado uma maldição divina para a sua mãe, fanática religiosa.
O prólogo do livro já mostra certos acontecimentos estranhos envolvendo as White. Quando a menina tinha três anos de idade, uma estranha chuva de pedras e granizo atingiu sua casa, na pequena cidade de Chamberlain. Somente a sua casa.
Os eventos ocorridos na história, que desencadeariam na trágica Noite do Baile, começam um pouco após uma aula de Educação Física. Enquanto as meninas estão no vestiário, acontece a pior coisa possível para uma garota com o status de Carrie: a garota fica menstruada pela primeira vez e, pra piorar, não faz idéia do que está lhe acontecendo. Acha que está morrendo de hemorragia interna. As outras garotas lhe atiram absorventes e ficam rindo dela, pouco antes de ser ajudada pela professora, furiosa e enojada ao mesmo tempo. Pouco tempo depois, a diretoria da escola decide suspender as meninas que fizeram chacota de Carrie, proibindo-as de participar do Baile da Primavera. Uma delas, a patricinha Christine Hargensen, promete vingança.
Uma das alunas envolvidas no incidente, Sue Snell (provavelmente a mais madura da turma), fica com peso na consciência e passa a tentar reparar o erro. Convence o namorado Tommy a convidá-la para o baile em seu lugar (à sombra dos acontecimentos posteriores, talvez tenha sido uma decisão da qual se arrependeu profundamente).
Carrie teve uma versão cinematográfica relativamente boa em 1976, com Sissy Spacek como Carrie, Nancy Allen (a policial parceira do Robocop) como a vilã Chris Hargensen e com John Travolta como o namorado de Chris. Embora o filme não tenha ficado ruim e tenha sido fiel à história original, o final do livro é mais f*d%d*. Não vou entrar em mais detalhes pra não estragar a surpresa para quem não viu.
Embora tenha sido o primeiro livro de King, algumas coisas presentes em seus trabalhos depois desse já podiam ser notadas: os pensamentos dos personagens colocados entre parênteses (assim como em O Cemitério e em O Iluminado), cronologia "não linear" (sei que o termo não é esse, mas também não sei qual é o correto) e algumas revelações do final da história antes do final da história. Carrie não é o melhor livro dele, mas sem dúvida já foi um p*t@ de um bom começo.

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