quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Morte do Superman


Há pouco mais de dezesseis anos atrás (nossa, faz tempo!), assim como a grande maioria dos garotos da minha idade, eu ia passar férias na casa dos tios e, consequentemente, dos primos também. Na época, um desses primos (e aí, Zé Junior, como vão as coisas em Natal?) curtia HQ's de super-heróis, os chamados comics americanos e me apresentou à história que seria a minha primeira do gênero: A Morte do Super-Homem, publicada pela Editora Abril. Naquele tempo (nossa!), assim como a maioria das pessoas "de fora" dos quadrinhos, o Superman na minha cabeça era aquele dos filmes, interpretado pelo ator Christopher Reeve. Às vezes, eu até tento me lembrar, mas realmente não tenho certeza se eu sequer sabia que o Superman era um personagem originalmente dos quadrinhos.

Capa da edição brasileira de A Morte do Superman

A história é bem simples: em algum lugar da Terra surge um monstro irracional muito poderoso que simplesmente destrói tudo à sua frente. Reparem bem: o termo "morte e destruição" se aplica perfeitamente à criatura. Em determinado momento, ele chega a uma rodovia e vira uma CARRETA de cabeça pra baixo. Não demora muito até que a Liga da Justiça seja chamada para resolver o problema.

Edição americana que marca o surgimento de Doomsday (Apocalypse, no Brasil)
Na época, a Liga de justiça tinha uma formação bem fraquinha se compararmos à equipe da segunda metade dos anos 90 (nos EUA), mas eu não sabia disso. Aliás, sequer fazia idéia de que existia uma coisa chamada Liga da Justiça.
A equipe sai à caça do monstro e, seguindo o rastro de destruição, o encontra com relativa facilidade. Pra eles, aquele aparentemente não passa de mais um vilão a ser derrotado.



Enquanto isso, o Superman (na edição brasileira, chamado de Super-Homem) está em Metrópolis participando de um programa de entrevistas, no estilo Altas Horas, mas apresentado por um "Avião Loiro" chamado Cat Grant, em vez daquele carinha feioso do Serginho Groissman (é assim que se escreve?).
Assim que é informado do que está acontecendo, Superman deixa o programa às pressas e parte para ajudar a Liga (na época ele liderava a equipe). Quando chega ao local, a Liga já está praticamente derrotada e o cara se vê em uma encrenca da qual ainda não sabia direito a proporção que chegaria.
Começa uma das batalhas mais sangrentas já vistas nos quadrinhos. 


A partir daí é caça de gato ao rato e violência gratuita praticamente até o fim, mas muito bem conduzida. Em nenhum momento a história deixa o leitor entediado (pelo menos não no MEU caso) e as cenas de ação são muito bem feitas. 


 
Superman persegue o monstro até a cidade de (adivinhe!) Metrópolis e a luta de ambos destrói grande parte de cidade. O herói passa a dividir sua atenção entre o monstro e os muitos inocentes que podem se ferir durante o combate.
Depois de uma luta que durou várias horas e se arrastou por metade do país, ambos os combatentes estão exaustos. Superman mal consegue se manter em pé e apanha. 
Quer dizer, ele apanha mesmo!
MUITO!

Trecho de uma das edições brasileiras



No final, em um último esforço, Superman e Apocalypse - nome dado ao monstro pelo herói Gladiador Dourado - se golpeiam com força suficiente para estilhaçar as janelas dos prédios ao redor e caem em frente ao prédio do Planeta Diário. Pra não se levantarem mais.


A última parte da história dá aquele friozinho na barriga típico de quando morre alguém famoso. Em Smallville, no Kansas, os pais de Clark Kent assistem à luta pela TV, impassíveis. Ao final do combate, com as imagens mostrando um Superman ensaguentado nos braços de Lois Lane, Martha Kent abraça o marido. Ambos choram.



Eu sei que a comparação parece um pouco exagerada, mas as reações mostradas na história lembram muito as dos brasileiros no dia 1º de maio de 1994 (A Morte do Super-Homem foi lançado por aqui em novembro de 1993). Quem lembra daquele dia sabe do que eu estou falando. Certamente os americanos sentiram algo parecido no dia em que Kennedy foi assassinado.
Preste atenção: eu não sabia absolutamente NADA do Superman. Nada de Krypton, nada de pais adotivos, nada de Lois Lane. Mas mesmo assim, foi como se algum cara importante pro mundo tivesse mesmo morrido. Aquela sensação foi muito estranha. Apesar da idade que eu tinha (era muito novo), sabia que talvez fosse mesmo um pouco bizarro se sentir triste com a morte de alguém que nem existia! Mas, mesmo assim... pô, o cara ajudava as pessoas!

Pouco tempo depois de ler essa história, eu fui com o meu pai a um lugar que vende massas aqui perto de casa  e vi na banca de jornais "O Retorno do Super-Homem." Meu pai comprou a revista pra mim, mesmo R$3,20 sendo muito caro pra época. Foi a partir daí que comecei a me interessar por HQ's.
E isso durou algum tempo...

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